domingo, 12 de setembro de 2010

As horas mágicas

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgr9PRr1UQGmvuaSlIQY1HKxwe86KlQpvjqXDS0qzkRG3d7OvqNtyxDdzgtlthdfkuEmwyYgBtKKVYpYbkTZzOUEBEZv4SWGl3UfLwYFZVURXxJLMxJmT5-dBuObEAqksSXcpLzXER-_zNv/s1600-r/sol+vermelho.jpg 

Essas tabelas fiam-se da primeira à décima  segunda hora. Eu simplifiquei colocando direto horas que contamos no relógio ( eu uso e funciona ). Na verdade, essas horas são diferentes das horas que contamos no relógio ( baseadas no tempo médio ). As horas que chamamos de mágicas são chamadas de tempo horário e são divididas da seguinte maneira.Do nascer do Sol até o pôr do Sol, divide-se as horas por 12.
São as horas diurnas. Do pôr do Sol ao nascer do Sol, divide-se  as horas por 12. São as horas noturnas. Os romanos dividiram esses dois turnos em quatro vigílias e a denominação foi conservada pela liturgia cristã, sendo utilizada em diversos círculos mágicos avançados. Lembremos aqui que as horas mágicas não eram utilizadas pelos celtas, que se guiavam pelas estações e pela própria intuição.
http://static.blogstorage.hi-pi.com/photos/vitorfaria.bloguepessoal.com/images/gd/1244501120/MADRUGADA-FRIA.jpg
Laudes- conta-se do nascer do Sol até o meio dia.

Vésperas- conta-se do meio dia até o pôr do Sol.

Completas- conta-se do pôr do Sol até a meia-noite.

Matinas- conta-se da meia-noite até o nascer do Sol.

A tábua das moradas da Lua

Outro fator que você deve levar em consideração é em que signo a lua está na hora de um ritual ou feitiço. A chamada tábua das moradas da Lua deve ser mantida ao alcance na hora, mas é preciso conhecer um pouco de astrologia para interpreta-la.'

Digitado por Sarah Crow

De Eddie Van Feu - Almanaque Wicca

Amizade e Inimizades entre os planetas

http://i74.servimg.com/u/f74/12/84/64/22/john_w10.jpg
O tempo mágico baseia-se na influencia dos planetas durante aquele momento e no mapa astral do mago ou bruxa. Cada um de nós tem uma espécie de mapa previamente traçado que nos é muito particular. mesmo gêmeos tem diferenças em seus mapas, pois apenas  um minuto já faz diferença para o cosmo. Assim , as influencias planetárias do mago influem também na operação mágica que ele realizar.
Alguns planetas não se dão com outros! Pois é, parece piada, mas em magia trabalhamos com o que chamamos de amizades e inimizades entre os planetas.
Uma junção errada e seu feitiço se vira contra o feiticeiro. Na verdade, não é que os planetas se dêem mal, mas é a energia que eles provocam que é ruim. Já viu aquelas duas pessoas que são legais sózinhas, mas insuportaveis quando estão juntas? É por ai...



Os planetas que não se dão

Sol com Saturno- provoca oposição
Lua com Saturno- provoca indiferença
Lua com Marte-produz versatilidade
Marcúrio com Júpter provoca o desprezo dos outros

Vênus com Marte- provoca a zombaria

Marte com Saturno- provoca a suscetibilidade

Os Planetas que são amiguinhos e se dão bem:

Sol com Marte- para a luta pela vida
Sol com Júpter- chance de honra
Lua com Júpter- beneficia a riqueza
Mercúrio com Marte- beneficia o comércio
Mercúrio com  Saturno- Beneficia a inteligência
Vênus com Júpiter- beneficia a procriação
Saturno com Júpiter - beneficia a sabedoria

Essas amizades e inimizades possuem um leque de variações. Deve-se evitar a união de Sol e Marte, pois seus resultados são extremamente violentos. Vênus e Lua possuem um relacionamento muito caprichoso e podem dar resultados inesperados.
Para saber mais sobre isso você deve ter um conhecimento razoável de astrologia. A maioria das pessoas ( incluindo alguns astrólogos ) não têm. O jeito é continuar estudando, devagar e sempre! Guia-se pelas tabelas planetárias.

Digitado por Sarah Crow
Retirado do almanaque wicca da Eddie Van Feu

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

O lado mistico do Flamenco

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg6mc0Fmpmss8Ti_4CmUh3XtXkDWQUfCUOt4qIpo6MgX8dIlWf4lfPNGpGUdOetM9kLX5W2XMFWqhsva5ASBMIT2qEZ3hQJWVM8_oE8Mv87_QKUVPPxlXdxkBzmQzu4GV3loGdeZj2sTsE/s400/Sara+Baras+1.JPG
 
 
 Quando o cante solta um grito de: Hay!
Naquele momento o espectador, seja ele andaluz ou não, não precisa de nenhuma explicação.
Ele compreende, instintivamente, o que é o flamenco.
Mas quando quer conhecer as origens do flamenco ou as diferentes acepções da palavra, não obtém uma resposta definitiva. O flamenco tem seus mistérios.
É certo, porém, que o flamenco permanece uma MÚSICA singular ligada a curtos poemas, as copias, freqüentemente fascinantes - sobre a qual enxertou-se a DANÇA. O canto (el cante), a música (el toque) e a dança (el baile) são indissociáveis. Eis unia das raras certezas.
Há uma outra, a de seu local de nascimento. A pátria do flamenco a Baixa Andaluzia e seu berço o triângulo Sevilha - Jerez - Cádiz.
O problema torna-se mais complexo quando se aborda a etimologia do Flamenco. A palavra espanhola "flamenco" significa "flamengo". Seu estudo deu lugar a numerosas interpretações. O viajante inglês George Borrow, que viveu desde 1836 perto dos ciganos da Andaluzia, menciona em seu livro Los Zincali que se designa os ciganos sob o nome de novos castelhanos, de germanos ou ainda de "flamencos".
Alguns adiantam que a palavra "flamenco" é um derivado da expressáo árabe "fellah-mengu" que significa "camponês em fuga", devido à proscrição dos ciganos (que aconteceu paralelamente à perseguição dos mouros em 1570, empreendida por Felipe II de Espanha). Outros consideraram que a palavra "flamenco" poderia ter sido importada da Flandres no século XVI por alguns "flamengos" da corte de Carlos V. O termo era compreendido então como um insulto, podendo ser aplicado aos ciganos.
Viria ainda a palavra "'flamenco" de "flameante" (flamejante) ou designaria como hoje os fanfarrões? Não esqueçamos, enfim a versão de Francisco Rodriguez Marin que vê uma correspondência simbó1ica entre o flamingo rosa (igualmente flamenco), que vivia nas costas do Mediterrâneo e os andaluzes que ocupavam as tabernas, os locais de festa, e cuja silhueta lembrava a do palmípede.
Não bastasse a palavra "flamenco" dar margem a divergências, a própria história do Flamenco e de suas origens suscitam igualmente numerosas hipóteses e polêmicas.
CIGANO E/OU ANDALUZ
Seria o flamenco criação exclusiva dos ciganos? Se definimos o flamenco como cigano, havemos de convir tratar-se de ciganos tornados sedentários e estabelecidos na Andaluzia. De onde vinham eles?
Do vale do Hindo onde, empurrados pelas tropas de amerlão, teriam - a partir da India ganhado a Europa pelo Egito, a África do Norte ou os Bálcãs. O grupo conduzido por João do Egito Menor penetrou nas terras de Alfonso V de Aragão, que deu-lhes o direito de lá se instalarem livremente (1425).
Durante todo o século XV os ciganos conheceram um periodo de paz, que lhes permitiu entrar em simbiose com o folclore andaluz. Desse encontro nascerá o flamenco, canto profundo marcado pela melancolia, o fatalismo e o sentimento trágico da vida. De alguma forma, os ciganos fizeram emergir toda a riqueza artística acumulada durante séculos na Andaluzia, que viu se sucederam fenícios, romanos, bizantinos, visigodos, e coabitarem cristãos, judeus e muçulmanos.
A verdade histórica encontra-se a meio caminho, entre os que consideram que os ciganos estão na origem das formas primitivas do flamenco e os defensores ferrenhos de um "andaluzismo ean-Marie Lemogodeuc e Francisco Moyano sustentam que houve "uma lenta transição entre o substrato folclórico andaluz - constituído de romances, canções e danças populares, que originaram os corridos ou romances gitanos - e as tonás gitanes do canto profundo". Pode-se, portanto, considerar uma evolução progressiva e insensível dos ritmos e canções populares andaluzes rumo a uma "ciganização".
Ao redigir em 1783 As Regras para conter e castigar a errância e outros malfeitos daqueles chamados ciganos, Carlos III coloca o cigano numa situação jurídica de igualdade com os espanhóis e vai tornar possível a emergência do canto e da dança flamenca.
El cante
O primeiro nome conhecido de cantaor profissional é e de Tio Luis 1 de la Juliana. Há ainda El Planeta (criador da seguiriya) e seu discípulo El Filio. Eles vivem no início do século XIX e são todos ciganos.
A primeira referência àquilo que pode ser considerado como do flamenco encontra-se na obra Escenas andaluzas (Cenas andaluzas) de Serafín Estébanez Calderón, publicada em 1847: no capítulo "Dança em Triana" o autor enumera nomes precisos de cantos e de cantores.
Após a primeira geração do flamenco, de 1800 à 1860, vem a da idade de ouro, de 1860 a 1910. Os primeiros cafés de cante ou cafés cantantes (cafés-concerto) são abertos em Sevilha a partir de 1850: Los Lombardos, ei A renal, las Friperas, o Café de Variedades... Mas é principalmente com a abertura de "El Burrero" em 1880 (que se tornará "Café dei Burrero") e do "Café de Silverio" que o cante entra em plena atividade.
Constate-se aí que os artistas "payos" (os não ciganos, em espanhol) são duas vezes mais numerosos que os ciganos. Os cafés cantantes teriam pois permitido aproximar as tradições andaluzas (Malaguenhas, Verdiales, Granadinas, Tarantas) e cigana (Se guiriyas, Soleares, Martinetes, Bulerias, Tangos...). O cantor permaneceu durante muito tempo o personagem principal mas, com o tempo, o guitarrista assumiu crescente importância. O nível geral melhorou e os guitarristas inventaram novas técnicas.
O desenvolvimento dos cafés cantantes teria desencadeado um transtorno irreversível na histór do Flamenco. A partir daí, ele deixa de ser uma exclusividade cigana; sai do universo privado e familiar para se transformar em espetáculo lucrativo. Abre-se assim a terceira fase do flamenco e sua teatralização.
El baile
No inicio do seculo XX artistas como Manuel de FalIa ou Ramorr Goniez de la Serna se inquietam: estaria o flanretrco em decadência? Para manter vivas suas foiites criam um concurso de Cante Jondo, corri a intenção de dar a preferência aos "Cantaores que evitam as fiorituras abusivas". Ele acontece em 13 de junho de 1922 ria praça de los Aljibes, eni Alhambra. Acima do prêmio outorgado a Niíio Caracol, o que importa é a tomada de consciência pelos intelectuais da época corno Federico Garcia Lorca da dignidade e da riqueza do flanretrco.
Mas por outro lado o espetáculo teatral assume uma importância bem particular, jã que ele fará o flamenco conhecido mundo a fora. Não se trata mais somente de tablao, mas de cenas de teatro.
Em 1929, Antonia Mercê, "La Argentina", cria a primeira companhia de balé espanhol, que estréia ria Opéra Comique de Paris. Vicente Escudero apresenta, também ria capital francesa, suas primeiras criações e redige seu Decálogo da Dança flaumermca (1949). É sem dúvida nesse momento que, no inconsciente coletivo, o baile (a dança a que atualmente se associa o termo flamenco) suplanta o cante.
O baile é o prolongamento do cante. Dele emana e se alimenta. A flama é animada pela voz do cantaor e, segundo Jean Cocteau, "o dançarino se consume nesta chama". A osntose é tal que o nome das danças é o mesmo que o dos cantos.
Como o cante, o baile é leve nas alegrias, burlerías, rumba e patético nos soleares, seguiriyas e martinetes. E é a tradição:
como o cantor, o dançarino passa de um estado de tensão dramática a um estado de calma. Por exemplo: a dança que acompanha os soleares vê-se atenuada e adocicada, no momento de seu paroxismo, por uma passagem a um ritmo de bulerías ou a outros ritmos feitos do mesmo estilo.
Ao estrear no teatro, o flamenco viveu um período de transição, onde por vezes a imagem exótica prevalece sobre a autenticidade. Mas não houve erosão do gênero, e após algumas indecisões, a arte do flamenco encontrou em grandes artistas (La Argentina, Carnren Amaya, Antonio Ruiz Soler, La Chunga, El F~rruco, ou ainda Antonio Gades e Christina Hoyos) sua força de emoção e de paixão.
Os viajantes do século XIX já observavam que é no domínio da dança, dos ritmos e da harmonia que a arte flamenca utiliza os elementos da arte sacra da Índia. Por suas atitudes, pelos simbolos mágicos desenhados por seus braços e seus dedos, a bailarina de flamenco não deixa de recordar ao espectador de hoje a dançarina indiana.
A dança, naturalmente, obedece a regras e deve curvar-se, imperativamente, às exigências do coam pás. O segredo do flamenco, porém, permanece inteiramente nas mãos dos artistas.
Adaptado a partir de
original de Martine
Planells publicado no
programa da Ópera de Paris
SÍNTESE:

1) Os mouros predommmirmaram na Espanha de 711 à 1492 (até a sua expulsão pelo rei Ferdimando e a rainha Isabel).
2) Encontramos aqui uma mistura musical de elementos orientais, judaicos, berbemes e gregorianos. A influência árabe ali foi notável, principalmente rias técnicas inarmônicas, utilizando intervalos menores que o semitom. Autores de mmmi estudo sobre o Flamenco (coleção Que sais-je?, muito popular na França)
No início do século XVIII ainda não se encontram sinais da palavra flamenco com designativa de um gênero musical, e as duas danças riais populares à época são o fandango e a seguidilla que, dançadas no teatro por profissionais, serão enobrecidas pela "Escuela Bolera" (a escola de balé clássico). A dança "flamenco", tal como é hoje praticada, nasceu no século XIX.
<!________ LADO MISTICO________>

O Lado místico do Flamenco
A dança sempre esteve presente em todas as civilizações, em todos os povos, desde os primórdios, seja ela em caráter religioso (oferecida aos deuses ou ritualística), alegre (livre e descontraída) ou comunicativa (comunicação através do corpo).
Algumas civilizações antigas, bem como algumas tribos indígenas, praticavam a chamada "Dança da Terra. Essa dança era executada com os pés descalços e batendo simultaneamente no chão. Acreditavam que com isso, tornariam a terra fértil e se livrariam de todos os males físicos e espirituais, passando para a terra todas as doenças, dores e tristezas de que por ventura se apresentassem."
Esse aspecto também está associado à crença dos Ciganos Calóns que acreditam que o Flamenco tem o poder de "descarrego" através dos "taconeos".
2. OS QUATRO CAMINHOS DA VERDADE
Através de qualquer um destes 4 caminhos é possível chegar à verdade universal.
É o que explica a pirâmide:
1. arte  - ÁGUA 
2. ciêncía  - TERRA 
3. filosofia  - AR 
4. religião  - FOGO 

O centro, ou seja, o cume da pirâmide representa a verdade universal e cada lado, a subida por um caminho assim representado.
Por laços invisíveis e imperceptíveis, estão ligados entre si, pois significam e levam a uma mesma coisa: a Verdade.
Mas como em todo caminho existe muitos desvios e obstáculos...
3. NUMEROLOGIA CABALA E FLAMENCO
Certos ritmos dentro do flamenco são considerados pelos Ciganos Calóns e alguns estudiosos, como mágicos devido a seus compassos rápidos, marcados, violentos e sutis ao mesmo tempo.
Por exemplo: Temos as "Siguiryas", na qual cada compasso compõe-se de 5 tempos. Numerologicamente este rítmo representa a estrela de 5 pontas e toda sua simbologia, além do signficado do número.
Cada ritmo possui um símbolo e um significado, um número e uma finalidade.
Tudo isso será estudado no último período profundamente.
Essas informações são aqui expressas para somente lhe conscientizar a respeito deste lado da arte da dança flamenca.
4. O PODER DA DANÇA
Todos os místicos, magos, ciganos e esotéricos afirmam que, quando a dança é executada em toda sua plenitude, onde a pessoa está completamente entregue a dança e a música, ela atinge um certo estado de transe e nesse estado é capaz de direcionar essa energia que está sendo produzida para a realização de seus desejos mais profundos e intensos, mentalizados e programados em seu inconsciente.
Além de proporcionar estados de plena felicidade, satisfação, contentamento e uma renovação total de energia, a pessoa que dança se torna mais disposta para o dia-a-dia, vencendo seus obstáculos e tendo mais força para lutar nos revezes de nosso cotidiano urbano.
A dança nos faz "ficar de bem" com a vida!
E quando uma pessoa fica de bem com a vida, a vida sorri para ela !!!
Rodrigo Garcia. <!________ trajes________>

Os Trajes

Existem 4 modelos básicos de trajes flamencos que se associam aos 4 elementos e aos 4 caminhos universais da Verdade:
1. HOMEM Camisa social e colete
1. MULHER Saia comwn comprida, representa o elemento fogo e o caminho da religião.
2. HOMEM Somente camisa social e uso de bengala.
2. MULHER Saia que vem justo nos quadris e coxas saindo babados a par/ir do joelho, representa o elemento terra e o caminho da ciência. Uso de pandeiros.
2. HOMEM Um blaiser sobre a camisa social e colete
3. MULHER Bata-de-cola, representa o elemento água e o caminho da arte. Uso de xales.
4. HOMENS Uso de chapéu e punhais e camisa bufante.
4. MULHERES Saia comum, porém um pouco mais curta na altura da panturrilha, representa o elemento ar e o caminho da filosofia. Uso de Leques.
Assim como os trajes, as músicas também se associam aos elementos de acordo com seus ritmos.
 
Pequeno Dicionário Flamenco:
Ay! - exclamação que introduz ou acompanha numerosos cantos.
BaiIaor(a), Cantaor(a) - bailarino(a), cantor(a) de flamenco. Deformação das palavras espanholas bailador, cantador pelos andaluzes. O termo bailarino designa o dançarino de balé clássico.
Braceo - port de bras dos dançarmos de flamenco.
Cante jondo ou Cante grande - cantos profundos como a seguiriya, a solea e o martinete, em oposição ao cante por fiesta (buleria, tango, alegria...), bem mais alegre.
Jondo é a deformação da palavra "hondo" (profundo). Termo proposto por Manuel de FalIa e Federico Garcia Lorca para substituir a palavra "flamenco", julgada restritiva no inicio do século. O cante jondo se aplica aos cantos que encerram ressonâncias primitivas, graves, e cuja força de expressão nasce dos sentimentos mais íntimos. Federico Garcia Lorca diz que no cante jondo "as gradações mais ilimitadas da Dor e da Pena, colocadas a serviço da mais pura e mais exata expressão, batem nos tercetos e quadras da seguiriya e seus derivados".
Copia - pequeno poema de três, quatro versos, que serve de texto para as canções populares e para o flamenco.
C ompás - compasso (ritmo de uma frase musical). C uadro - grupo de artistas de flamenco, composto de cantores, guitarristas e dançarmos reunidos para um espetáculo.
Duende - do sânscrito "divindade". O dicionário da "Real Academia" da a seguinte definição: "O misterioso e inefável encadeamento do Cante f/amenco~. Federico Garcia Lorca escreve em Teoria y Juego dei Duende: "o Duende é um poder e não um ato. Uma luta e não uni pensamento". Ele conta o que uni velho mestre de guitarra dizia: o Duende não está na garganta; o Duende sobe internamente a partir da planta dos pés". Para os "flamencos" énecessário compreender que o Duende é uru estado de graça que surge de modo inesperado e que não tem duração mensurável. E tarnbém o arrepio extático comunicado por certos artistas, que se manifesta sobretudo no baile e no cante por fiesta.
Gracia - dom de leveza e... de hunior, manifestado no baile. Quanto às danças lentas, elas requerem "ei arte", o grande estilo.
Jaleo - palavras "OLÉ !","VIVA DIOS !", palmas e outras manifestações que servem para encorajar os artistas.
J uerga - "fiesta flamenca" com cantos, danças e vinho (fino) à vontade.
M antõn - grande xale de seda com franja, indispensável ás sessões das bailaoras. Outros acessórios: o leque (habanico), as flores nos cabelos, o vestido de cauda (bata de cola) para os espetáculos. As castanholas (castanuelas) não são propriamente "flamencas"; elas provêm do folclore e do balé clássico espanhol.
Marcar - dançar, sem zapateado, geralmente durante o canto.
Palmas - bater de mãos que acompanha o cante ou o baile, sobre o tempo ou no contratempo. Há dois tipos de palmas: as palmas "normais" ou sonoras (bate-se na palma de uma das mãos com os dedos da outra) e as palmas "sordas" (surdas) utilizadas para evitar prejuízo à audição do canto (bate-se com as duas palmas, uma contra a outra).
Peña - associação de aficionados (aficcionados).
Pitos - estalar de dedos para marcar o ritmo.
Remate - movimento acentuado dos pés ou do corpo para terminar um compasso. Serve para fechar uma série ou um Conjunto.
Tablao - cabaré "flamenco", munido de um estrado de pranchas, e que se inspira nos antigos cafés "cantantes".
Taconeo - série de golpes ritmados, dados com o salto (tacôn). Toque - do verbo tocar. Designa a ação de tocar como o som produzido.
Zapateo ou Zapateado - como autêntico percussionista o bailaor dispõe de seus pés como de uma bateria. Originário de Cádiz, esse uso remonta ao século XVI. Hoje essa maneira de dançar - sóbrio nas atitudes - consiste em vibrar o solo com o pé num conjunto rítmico ordenado (sendo os sons produzidos por três movimentos sucessivos: ponta, salto, ponta - punta, tacón, punta). Existe um parentesco com o katak indiano.
Adaptado de texto original de
Martine Planells publicado no
programa da Ópera de Paris
 
Algumas Danças Flamencas
Tango - não deve ser confundido com o tanto argentino. Trata-se de uma adaptação desta dança feita pelos ciganos que se popularizou na Espanha em meados do século XIX. De ritmo binário, o tango tornou-se uma das danças mais características do flamenco. Dança da sedução, seus movimentos são elegantes, chegando a ser espevitados ou alusivos. Os tangos deixam ao bailarino um amplo espaço para a improvisação pessoal.
Bulería - o nome vem de burla (zombaria, blague) ou de bulia (agitação). A bulería nasceu no final do século XIX e permite todos os tipos de improvísações. E cantada e dançada ao ritmo de uma soleá muito leve (a soleá é, com a seguiriya, uma das bases do flamenco). E um canto festivo criado, ao que parece, pelos ciganos de Jerez. O bailarino deve seguir um compás alternado. Em um ciclo de 12 tempos, sucedem-se dois tempos longos e três breves. Esse tipo de compás funciona na realidade de maneira muito complexa: o ciclo pode começar seja sobre os tempos 12, 1, etc., dividir-se em dois, três ou quatro sub-partes e superpor várias escanções simultâneas. Sobre este ritmo, a bulería, alegre ou sentimental, libera todas as energias.
Alegría - como reconhecer uma alegria? Talvez pelo "tiritran, tran, tran" que inicia. Como seu nome o indica, é uni canto e uma dança de contentamento, de alegria, que se desenrola sobre um cornpás alternado. As alegrias mais célebres vêm de Cádiz.
Farruca- do árabe "faruq" - que significa corajoso, o sobrenome dado pelos andaluzes aos imigrantes galegos ou asturianos). Cante de origem galega que absorveu inegáveis influências andaluzas, especialmente da região de Cádiz. Suas características: a doçura, a cadência e a melancolia. A dança se apoia sobre um com pás regular em tempo binário (estruturas a 2 ou 4 tempos por compasso, em ciclos de 4 ou 8 compassos). Adaptada ao homem, a farruca é lenta, nobre e grave com pausas muito precisas. Os pés percurtem constantemente o solo com violentos golpes dos saltos. Sua grande dificuldade reside nos desdobramentos em contratempos que alternam com os passos que lhe são peculiares. Foi La Trico coe, Léonide Massine introduz uma farruca que é o momento mais esperado do balé.
Romera - parece derivar de uma palavra repetida varias vezes nos mais célebres textos de copias. Romera teria o sentido de "mulher", de amante. O cante tem o niesrno compás que as alegrias e as bulerías (estrutura rítmica de doze tempos), que faz dele um cante inteiramente apropriado à dança.
Adaptado do programa da Ópera de Paris.
 
fonte:Arte e movimento


PAX DEORUM

Lista Santa Sarah Kali
Rede de amigos NingCompanhia dos Gatos yahoo lista
Tudo que desejares a mim eu vos desejo em DOBRO!REDOBRADO! E TRIPLICADO! )0(

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Deusa Bastet

UMA GATA OU UMA MULHER 
com cabeça de gata simbolizava a deusa Bastet e representava os poderes benéficos do Sol. Seu centro de culto era Bubastis, cujo nome em egípcio — Per-Bastet — significa Casa de Bastet. Em seu templo naquela cidade a deusa-gata era adorada desde o Império Antigo (c. 2575 a 2134 a.C.) e suas efígies eram bastante numerosas, existindo, hoje, muitos exemplares delas espalhadas pelo mundo. Essa divindade também estava associada à Lua e protegia os partos e as mulheres grávidas de doenças e dos maus espíritos. Tornou-se ainda padroeira dos festivais, muito populares até a época romana, nos quais as bebedeiras eram comuns.


Ao lado, estatueta de bronze da deusa gata Bastet.
Museu Britânico.

O NOME QUE OS EGÍPCIOS DAVAM ao gato era myw, que correspondia ao som que o bicho emite, ou seja, o nosso conhecido miau, palavra onomatopaica que passou para outros idiomas, inclusive o português, indicando o miado daquele animal. O gato, aliás, era um dos bichos mais estimados no Egito. Bastet era uma divindade bastante antiga, já citada nas primeiras dinastias, quando então era identificada com os gatos selvagens que povoavam o país. Foi a partir do Império Médio (c. 2040 a 1640 a.C.) que ela começou a ser associada com o gato doméstico. Seu nome significa "deusa do bas", palavra que identifica um jarro de unguento para cerimônias funerárias. Símbolo do amor materno, da fecundidade e da doçura, protegia os lares e a partir da IV dinastia (c. 2575 a.C.) aparece como mãe do faraó, a quem ajuda. Sendo os soberanos da XII dinastia (1991 a 1783 a.C.) oriundos de Bubastis, tornaram a deusa de sua cidade natal uma divindade de cunho nacional. Dessa época em diante foi considerada filha de e os poderes benéficos do Sol lhe foram incorporados.
DURANTE O TERCEIRO PERÍODO Intermediário (c. 1070 a 712 a.C) começaram a ser construídas necrópoles para abrigar múmias de gatos. Esses animais eram criados no templo de Bubastis com o objetivo de serem sacrificados à deusa e mumificados. Devotos da divindade adquiriam tais múmias que eram envoltas em tecido, colocadas em sarcófagos feitos sob medida e enterradas como oferendas à Bastet em túmulos subterrâneos cobertos com uma abóbada. Quando os reis líbios da XXII dinastia (c. 945 a 712 a.C.) fizeram de Bubastis sua capital, por volta de 944 a.C., o culto da deusa tornou-se particularmente desenvolvido.
A PARTIR DA XXVI DINASTIA (664 a 525 a.C.), agora já no chamado Período Tardio (c. 712 a 332 a.C.), tornou-se comum os adeptos da deusa lhe oferecerem, em seus templos, ex-votos na forma de estatuetas que representavam a divindade sob a forma de gato. Feitas geralmente de bronze, mas também de outros materiais, as esculturas costumavam trazer no pescoço um colar ou o olho Uedjat e brincos de ouro nas orelhas. Ao ser representada na forma humana podia trazer nas mãos um cetro, uma planta de papiro, um sistro, instrumento musical que tocava nas festividades, etc. No braço podia carregar um cesto que, às vezes, aparece cheio de gatos.
DIZIA A LENDA que a deusa-leoa Sekhmet, após ter dizimado parte da humanidade, fora apaziguada e se transformara numa gata mansa. A terrível bebedora de sangue se trasformara em Bastet, bebedora de leite. Em Bubastis, cidade situada na região central do delta nilótico e principal centro de culto dessa deusa, as festas em sua homenagem eram muito concorridas. O historiador Heródoto (aprox. 480-425 a. C.), falando de tais festas no seu tempo, escreveu:
Os egípcios celebram todos os anos grande número de festas. A mais importante e cujo cerimonial é observado com maior zelo é a que se realiza em Bubastis. A vida em Bubastis por ocasião das festividades transforma-se por completo. Tudo é alegria, bulício e confusão. Nos barcos engalanados singrando o rio em todas as direções, homens, mulheres e crianças, munidos, em sua maioria, de instrumentos musicais, predominantemente a flauta, enchem o ar de vibrações sonoras, do ruído de palmas, de cantos, de vozes, de ditos humorísticos e, às vezes, injuriosos, e de exclamações sem conta. Das outras localidades ribeirinhas afluem constantemente novos barcos igualmente enfeitados e igualmente pejados de pessoas de todas as classes e de todos os tipos, ansiosas por tomar parte nos folguedos, homenagear a deusa e imolar em sua honra grande número de vítimas que trazem consigo e previamente escolhidas. Enquanto dura a festa, não cessam as expansões de alegria, as danças e as libações. No curto período das festividades consome-se mais vinho do que em todo o resto do ano, pois para ali se dirigem, segundo afirmam os habitantes, cerca de setecentas mil pessoas de ambos os sexos, sem contar as crianças.
Acima, estatueta de bronze de Bastet da época romana. Museu Britânico.
NO EGITO os arqueólogos encontraram cemitérios inteiros de animais sagrados mumificados. Essa prática cresceu de importância no período mais recente da história do Egito antigo, sob o domínio dos Ptolomeus. Por isso, não deve ser considerada típica da vida religiosa do Egito em seu auge.
OS CEMITÉRIOS de animais estavam situados nas proximidades de seus respectivos centros de culto. Assim, os gatos, que representavam essa deusa Bastet da alegria e do amor, eram mumificados e enterrados em Bubastis.
A MUMIFICAÇÃO DE ANIMAIS e pássaros, em verdade, era muito grosseira e o corpo era freqüentemente reduzido a um esqueleto antes de ser envolto em bandagens. Tais bandagens, porém, eram aplicadas com grande habilidade e todos os esforços eram envidados para produzir uma múmia convincente na aparência. Essa múmia de gato, do Período Tardio, por exemplo, está cuidadosamente envolta por numerosas tiras de linho.
EMBORA A MAIOR PARTE dos animais mumificados sejam dos últimos períodos da história egípcia, a prática de venerar certos animais em particular existiu já nos períodos mais antigos. Muito antes do culto aos animais sagrados do Período Tardio, o príncipe Tutmósis, irmão mais velho de Akhenaton (c. 1353 a 1335 a.C.), mandou mumificar e enterrar sua gata preferida com o título de Osíris Tamit justificado. Seguindo o modelo dos sarcófagos do Império Antigo, o caixão de pedra imita uma capela: as paredes laterais são mais elevadas. Os textos inscritos no sarcófago pedem a proteção à deusa Nut e aos quatro filhos de Hórus, enquanto que a gata aparece com um colar diante de uma mesa de oferendas. Nas faces menores, Ísis e Néftis encontram-se ajoelhadas em sinal de amparo.

FONTE:http://www.fascinioegito.sh06.com/gata.htm






A Deusa-Gata foi uma das divindades mais veneradas no antigo Egito. Ela representava o lado poderoso, luminoso e acalorado do sol. Nas festas dedicadas a Bast, as ruas enchiam-se de música, dança e brincadeiras bem-humoradas. Seus seguidores adoravam comidas doces, como bolos de mel, passas e frutas.
Bastet então tornou-se a deusa dos festivais e do vinho.
O sistro que ela traz na mão simbolizava o prazer da música e da dança.

No Antigo Egito, o gato doméstico, trazido do sul ou do oeste por volta do ano de 2.100 a.e.C., é considerado um ser divino, de tal ordem que, se um deles morrer de morte natural, as pessoas da casa raspam as sobrancelhas em sinal de luto.
No santuário de Bastet, em Bubástis, foram encontrados milhares de gatos mumificados, assim como inúmeras efígies de bronze que provam a veneração a esse animal. Em seu templo naquela cidade a Deusa-Gata era adorada desde o Antigo Império e suas efígies eram bastante numerosas, existindo, hoje, muitos exemplares delas pelo mundo.
O gato é um símbolo que assumiu múltiplos significados entre as diferentes civilizações. Segundo uma tradição celta, ele teria nove vidas. Posteriormente, durante a Idade Média, o gato passou a ter apenas sete vidas. Animal misterioso associado aos poderes da Lua, ao mundo da magia e às bruxas.



Faça um altar dentro de casa e coloque uma imagem da
Deusa Bastet .
Em volta coloque fotos de seus gatos e de sua família, também
de outros bichinhos de estimação, podendo acender uma vela
verde ou branca.
Peça sempre a proteção maternal de Bastet porque ela pode

O Culto a Deusa

Bastet a Deusa gata.
Protetora dos gatos, das mulheres, da maternidade, da cura.
Era guardiã das casas e feroz defensora dos seus filhos, representando
o amor maternal.
Tem grande ligação com a lua.

" Eu sou Bastet, a deusa dos mistérios da natureza!"



Para ter sorte no ano que entra, às nove horas da noite do dia 31 acenda uma vela dourada e sente-se confortavelmente perto dela, enquanto relaxa a mente e o corpo por alguns minutos.
Num pedaço de papel roxo, escreva nove vezes as suas metas para o Ano Novo, repetindo as seguintes palavras:
-Cobre, estanho, ouro, prata, minha sorte aumenta enquanto o ano passa!
Deixe sua lista de metas num lugar especial e procure lê-la regularmente.
Boa Sorte!

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Hevia-Busindre Reel

Stregheria e Magia Vernacular(1) na Itália: uma comparação

Stregheria e Magia Vernacular(1) na Itália: uma comparação
 
De Sabina Magliocco
Tradução: Pietra di Chiaro Luna
http://jornale.com.br/wicca/wp-content/uploads/2009/05/imagec3g.JPG
A distinção entre a Stregheria contemporânea e a magia tradicional italiana, práticas de cura e espirituais vem se tornando assunto de debates em um bom número de listas e websites. Neste pequeno ensaio, tentarei resumir algumas das minhas publicações acadêmicas sobre o assunto para uma platéia não escolástica, e também encorajar pesquisas, questionamentos e discussões mais profundas a esse respeito. Preciso ressaltar de início que minha linha é mais acadêmica: como antropóloga e folclorista, considero ambas Stregheria e a magia vernacular italiana como importantes facetas da cultura com seus direitos preservados. Minha intenção não é rejeitar a autenticidade de nenhuma delas, mas ajudar os leitores a entender ambas no contexto nos quais elas se desenvolveram, e como a primeira cresceu para que a segunda esteja no contexto da imigração ítalo-americana.
Stregheria é uma forma de bruxaria neo-pagã ítalo-americana. Ela deve suas origens à Aradia, ou o Evangelho das Bruxas (1889), uma coleção de feitiços, rimas e lendas que um folclorista amador chamado Charles G. Leland que dizia ter vindo de uma vidente florentina chamada Maddalena. De acordo com Leland, Maddalena pertencia a uma família de bruxas que praticavam uma forma de religião pagã centrada no culto da deusa lua Diana. Leland interpretou esses materiais que coletou de acordo com as teorias de folclore popular do fim do século XIX: como sobreviventes de antigas religiões pagãs, especialmente das romanas e etruscas, civilizações que dominaram a Itália central. Ele chamou a bruxaria de la vecchia religione (a velha religião). Já do início, o trabalho de Leland foi controverso. Alguns dos materiais que fazem parte desse trabalho - a conjuração com os limões e alfinetes, por exemplo - têm análogos no folclore italiano. Outras histórias parecem ser versões de rimas infantis italianas, reescritas para servirem aos intentos de Leland. E a personagem de Aradia parece ser baseada numa figura do folclore italiano medieval: a bíblica Herodias (Erodiade em italiano), era creditada por voar pelo ar à noite com uma procissão fantasmagórica. Mas esses pedaços de folclore não aparecem em outros locais no folclore italiano como parte de um texto. Se o Evangelho das Bruxas era um texto autêntico de uma tradição popular, uma outra versão teria sido coletada em algum ponto por algum historiador ou folclorista. Porém nenhum texto semelhante foi encontrado pelos etnologistas italianos. Por essa razão, o "Aradia" de Leland sempre foi entendido como uma farsa. Mais recentemente, o historiador Robert Mathiesen propôs uma nova explicação: que Aradia seja interpretada como um texto dialógico e intersubjetivo - um produto de uma interação próxima entre Leland e Maddalena, durante a qual Maddalena selecionou e reinterpretou pedaços do folclore que poderiam interessar ao seu abastado patrão. O resultado foi um documento que incorpora muitos elementos de folclore, mas amarrado de forma não usual, dando a eles uma interpretação única e atípica.
A despeito das controvérsias a seu respeito, o texto de Leland se tornou bem influente: ele igualitava magia popular a uma tradição antiga envolvendo a veneração de uma deusa e localizou tudo isso na Itália. Leland influenciou claramente Gerald Gardner, a quem são dados os créditos do desenvolvimento da Wicca em sua forma presente, e através de Gardner, toda uma geração de bruxas. Entre os primeiros a se assumir como praticantes de bruxaria italiana está Leo Louis Martello (1933-2001). Martello dizia ter sido iniciado por um membro de sua família ainda menino. Ele descreve uma tradição hereditária baseada no mito siciliano da deusa Proserpina (Perséfone). Juntamente com a sacerdotisa Lori Bruno, também uma praticante hereditária, ele fundou a Trinacian Rose of New York City, um dos primeiros covens ítalo-americanos da América do Norte.
Mas o real herdeiro de Leland é Raven Grimassi, o arquiteto da Stregheria. Como Martello e Bruno, Grimassi diz ter sido iniciado numa família de tradicional prática de magia a qual ele descreve como hereditária, doméstica e secreta. A mãe de Grimassi vem de uma região da Campânia, perto de Nápoles. Ela pertence a uma família na qual os membros praticavam certas tradições mágicas, incluindo a remoção do mal-olhado, o feitio de licores e poções mágicas e divinação. Como as outras tradições descritas por Martello, Bruno e um número de etnologistas italianos, ela consistia num conjunto de ensinamentos secretos, limitada a membros da família, passada apenas para aqueles que tinham algum tipo de interesse ou habilidade mágica inatos. Mas não é sobre essa tradição que Grimassi escreve em seus livros Ways of the Strega (1995), Hereditary Witchcraft (2)(1999) e Italian Witchcraft (2000). Ao invés disso, ele apresenta uma elaboração do que Leland descreveu: uma religião parecida com a Wicca em estrutura e prática, com um sabor italiano adicionado com nomes de deidades, espíritos e sabás. De acordo com Grimassi, as bruxas italianas se dividem em três clãs: a Fanarra, no norte da Itália e a Janarra e Tanarra na Itália central. Nenhuma menção é feita ao sul da Itália, a despeito do fato de que a maioria dos imigrantes italianos da América do Norte, incluindo a mãe de Grimassi, tenham como origem aquele local. Cada tradição é dirigida por um líder conhecido como Grimas. Como o nome dos clãs de streghe, a palavra grimas não aparece na língua italiana ou qualquer um de seus dialetos. As streghe ítalo-americanas fazem suas práticas em círculos chamados boschetti (groves, bosques) liderados por uma sacerdotisa e um sacerdote. Eles se encontram nas luas cheia e nova e observam a comemoração de oito sabás. Eles veneram uma deusa lunar e um deus de chifres, baseados nas deidades etruscas Uni e Tagni, também conhecidos como Tana e Tanus, Jana e Janus, Fana e Fanus. Espíritos ancestrais conhecidos como Lasa olham pela família e outros espíritos como Fauni, Silvani, Folletti e Linchetti têm papéis importantes na Stregheria. Os guardiões das quatro direções são chamados Grigori. Enquanto os livros de Grimassi foram muito influentes nos EUA, covens individuais que não descendem dessa forma de prática podem não seguir ou não praticar de acordo com os ensinamentos de Grimassi. Como em toda a Arte neo-pagã, existe uma grande variação e adaptação entre grupos e indivíduos. A linha comum que costura todos os covens da Stregheria parece ser os esforços para dar a sua prática um gosto italiano, tanto pelo tipo de deidades veneradas, para as comidas servidas em rituais, ou a adaptação de práticas italianas e ítalo-americanas num contexto pagão.
O gênio de Grimassi é mais criativo do que acadêmico. Ele nunca disse estar reproduzindo exatamente o que é praticado na Itália, admitindo que as streghe "adaptaram alguns costumes wiccanos em seus caminhos" (1995:xvii). Ele abertamente coloca que está expandindo de sua própria tradição familiar, adicionando elementos para restaurar o que ele imagina ser seu estado original. Mas de suas tentativas para restaurar uma tradição, uma nova tradição emergiu: uma que tem pouca semelhança com qualquer coisa que foi praticado na Itália ou em comunidades de etnia ítalo-americana.
Enquanto baseada em magia popular italiana, fatos históricos e coleções folclóricas, a Stregheria é, como muitas formas de restauração da Bruxaria, uma tradição moderna. O folclorista Robert Klymasz, escrevendo sobre o que acontece com o folclore como resultado da imigração para uma nova cultura, identificou três camadas para de folclore que são presentes em qualquer comunidade étnica. Essas incluem a tradicional, com claras ligações com as formas do mundo antigo; a transitória, na qual alguns elementos do mundo antigo se cristalizam, enquanto outras se adaptam para o novo contexto; e a inovadora, na qual novo folclore é desenvolvido para satisfazer as formas que foram perdidas com o tempo (Klymasz, 1973). A Stregheria pertence a essa última categoria. Ela tem alguns pontos em comum com a magia tradicional italiana, a qual vamos delinear em seguida; mas tem mais diferenças que similaridades. Seu verdadeiro valor está em sua habilidade de trazer aos ítalo-americanos contemporâneos um novo contexto no qual podem interpretar a magia popular e suas práticas que ficaram em suas famílias por gerações, dando a essas tradições, nova vida. Nesse processo, ela tem um papel vital em ajudar a criar e manter uma identidade para seus praticantes.
A Magia Vernacular Italiana, em contraste, não é nem uma religião nem um sistema formalizado de práticas. É tanto uma forma de ver o mundo quanto um conjunto de costumes amarrados aos ciclos agro-pastorais que é firmemente preso às vidas de seus praticantes, quase nunca em um nível consciente. Para a maioria de seus praticantes, é apenas uma forma comum de fazer as coisas e se comportar. Enquanto a magia vernacular pode ter raízes históricas em práticas pré-cristãs, ela não é preponderantemente pagã em tradição, mas sim enraizada numa matriz cultural católica romana. Em meu mais recente trabalho, chamei isso de "visão de mundo encantado", brincando com a idéia de Max Weber de desencanto do mundo.
A visão de mundo encantado na Itália é enraizada numa economia e sistema social pré-mercado. Por conta das atividades de subsistência associadas com a terra, o tempo era organizado de acordo com ciclos sazonais; esses são refletidos no ano ritual, que é determinado pelas formas litúrgicas católicas. Esses geralmente são interpretados regionalmente de forma a se ligarem aos ciclos econômicos: por exemplo, em Campânia, onde as colheitas de trigo e cânhamo foram substituídas por tabaco, que tem um ciclo parecido de crescimento, o ano ritual começava com o plantio próximo ao dia de São Martinho, no meio de novembro, e estendido até o fim da colheita, na época de Cosme e Damião em outubro. Em áreas pastorais como a Sardinia e os Apeninos, maio e setembro, os meses que envolvem um cuidado maior com os animais de fazenda, são enfatizados em práticas rituais. A forma exata do ritual do ano difere claramente de um ano para o outro. Os símbolos - as Madonas e os santos - são os mesmos, mas cada cidade varia a forma de colocá-los em seu sistema econômico. A visão de mundo encantado não está apenas enraizada no ciclo do ano rural; também é presente na vida pessoal dos moradores e seus ciclos. Começa com o nascimento e penetra cada fase da vida e cada rito de passagem, do momento do nascimento, quando a maioria das crianças italianas que não nascem envoltas na placenta (la camicia) ganha uma camisa de um parente, geralmente um padrinho, para protegê-las de influências maléficas, até os funerais, nos quais uma quantidade de crenças sobre o mundo após a morte é manifestada por pensamentos e atos.
O coração da religião e da magia vernacular italiana faz uma correlação entre os sistemas simbólicos e os sociais e econômicos de uma comunidade. A ligação primária nunca é com as estruturas predominantes como a igreja e o estado. As estruturas hegemônicas podem ou não coincidir com os nativos, mas quando não há um acordo, os primeiros são simplesmente ignorados. Se um elemento em particular não faz sentido em termos de entendimento local de espaço, tempo ou da natureza do mundo, as pessoas o tratarão como se não existisse, como se não houvesse qualquer conseqüência. Como resultado, o cenário da visão de mundo encantado na Itália é totalmente local.
A despeito de seu caráter local, a visão de mundo encantado existe por toda a Itália, em ambas regiões norte e sul, com mais semelhanças que se pode pensar, dadas as diferenças em língua, cultura e economia que caracterizam as vinte regiões da Itália. Alguns conceitos são comuns: por exemplo, o mal olhado e seus diagnósticos e curas são encontroados em todas as regiões e são muito parecidos. Assim, a visão do mundo encantado desafia uma sistematização. Crenças e práticas não são padronizadas em nenhum local, tampouco organizadas dentro de um conjunto de princípios articulados; eles são parte do cotidiano das pessoas, parte da prática delas. O etnologista alemão Thomas Hauschild, que passou quase vinte anos estudando a magia em Basilicata, uma região no sul da Itália, escreveu: "não existe um sistema, somente prática" (Hauschild, 2003:19). A prática é o sistema. As práticas e crenças existem dentro de uma cosmologia, mas seus detalhes raramente preocupam seus técnicos. Assim, uma estrutura como a descrita por Grimassi, com ramificações de práticas organizadas dentro da Itália, cada uma com seus próprios lideres e um corpo sistemático de conhecimento é estranho à visão do mundo encantado da Itália.
A principal característica da visão de mundo encantado é a crença na onipresença de seres espirituais que podem influenciar na vida humana. Esses seres incluem os mortos, santos, a Virgem Maria e Jesus (que são, afinal de contas, nada mais que os mais poderosos dentre os mortos). Espíritos como os folletti, linchetti e monachelli também aparecem, ecoando em alguns seres dados pela fauna mitológica de Grimassi, mas eles são geralmente causadores de problemas e não preocupados em ajudar os seres humanos: eles trançam as crinas de cavalos, espantam os burros e fazem viajantes ficarem confusos. Os espíritos são relacionados a certos tipos de doenças, embora a relação entre os espíritos e a doença muda de crença para crença, de lugar para lugar. Por exemplo, em Basilicata, dizem que os mortos que não descansam causam doenças como a erisipela e "fogo de Santo Antônio" (herpes zoster); em Campânia, acredita-se que as crianças que não tem um desenvolvimento normal são levadas por bruxas em seus vôos noturnos e assim, exaustas em danças e pelo vôo; na Emilia Romagna, Puglia e Sardinia, aranhas e outros insetos são responsáveis por um número de doenças como o tarantismo ou o argismo. Alguns estudiosos sugerem que alguns desses insetos encarnavam espíritos ancestrais e assim, eles tomavam o corpo de suas vítimas pelas mordidas ou ferroadas (De Martino, 2005 [1961]). Até espíritos como os santos e a Madona, que pertencem ao panteão católico, são encontrados em toda a parte: a Madona é geralmente adorada em uma ou mais manifestações locais e os devotos tem suas práticas favoritas baseadas nos atributos de cada Madona e as qualidades as quais ela "representa", ou regras que precisam dentro de seus interesses pessoais.
Em todos os locais na Itália existem pessoas que se especializam no contato com o mundo espiritual. Esses são os equivalentes italianos dos povos encantados (3) europeus ou britânicos e muito de seu trabalho é baseado em no diagnóstico e cura de doenças espirituais. Seus nomes variam de acordo com a região; podem ser conhecidos como guaritori (curandeiros), donne che aiutano (mulheres que ajudam), práticos (sábios), fattuchiere (os que consertam), maghi (feiticeiros) e outros muitos termos que variam em termos de dialetos; mas raramente essas pessoas se denominam streghe (bruxas). Esse termo é extremamente negativo no folclore italiano, e na maioria das vezes se refere a uma pessoa que faz mal a outras. O folclore italiano é rico em lendas de bruxas que viajam pelo ar para seus lendários encontros ao redor da castanheira de Benevento, de bruxas que encolhem para que possam passar por buracos de fechaduras, de bruxas que sugam a respiração ou sangue de suas vitimas e que causam todo o tipo de maus e desgraças para seus vizinhos. Claramente, essas atividades se referem às bruxas folclóricas; elas nunca foram praticadas por seres humanos reais. Ocasionalmente, porém, alguns curandeiros eram acusados de serem streghe por aqueles que acreditavam ser vitimas de magia negra, ou por clientes que não tiveram suas necessidades atendidas.
Existem duas linhas principais na cultura vernacular de cura italiana: cura através de ervas e a cura espiritual. Em alguns casos, ambos podem ser praticados pela mesma pessoa. Das duas, a cura através de ervas é considerada uma habilidade menos espiritual e mais de conhecimento prático. A cura espiritual, ao contrário, é mais ligada com poder pessoal. Esta pode ser chamada de la forza (a força), la virtú (a virtude) ou il segno (o sinal) e acredita-se que seja inato. Mas o poder sozinho é inútil sem rezas, formulas mágicas e técnicas que fazem parte do ofício do povo encantado. Poder e magia eram passados através de uma iniciação, mais comumente feita a meia noite da missa de véspera de Natal, durante a elevação da hóstia - o momento mágico do ano católico no qual é feita a transformação do mundo pelo o nascimento do Salvador, e a hóstia se transforma no corpo de Cristo - e assim, por associação uma transformação acontece. O conhecimento toma a forma de orações que chamam pelos santos e pela Madona, e em alguns casos, seguindo uma técnica que varia de cura para cura. Essas fórmulas e técnicas são secretas; não podem ser passadas para outra pessoa sem que o curandeiro perca seus poderes, e não podem ser passadas sem que seja em momento e local ritual. Geralmente estas são as únicas iniciações e treinamentos necessários para que se passe a diante os encantamentos mais simples. O conhecimento de cura são tipicamente passados dentro da família; em alguns casos, membros das famílias - tipicamente um grupo de irmãos ou primos - devem trabalhar juntos para que as curas se manifestem.
Como os estudiosos documentaram em outras partes da Europa, espíritos aparecem proeminentemente como ajudantes do povo encantado italiano. Enquanto muitos italianos comuns vivem em suas comunidades admitem acreditar em espíritos, e ocasionalmente entram em contato com eles, o povo encantado parece ter uma habilidade mais forte para relacionar-se de perto com eles - muito além daquela das pessoas comuns. Em muitas áreas, a cura é essencialmente conceituada com a batalha contra espíritos malignos - seja de mortos que não descansam, bruxas ou outros. Os curandeiros precisam de ajudantes nessas batalhas, e muitos curandeiros dizem que os tem como espíritos que os guiam em suas práticas. A natureza desses espíritos, mais uma vez, é local e idiossincrática: podem ser santos, ancestrais pessoais ou mortos que os ajudam. Eles podem aparecer para o curandeiro em sonhos e visões: estados de transe ou êxtase são fundamentais para conseguir comunicação com esses espíritos; esses estados são portas para o mundo espiritual para os curandeiros ou qualquer um que trabalhe com magia. Quando o povo encantado confia em santos ou na Virgem Maria como ajudantes, eles mantêm altares para estes, participando ativamente na organização e realização de festivais em sua honra e tem um papel ativo nas irmandades e fraternidades que podem levantar dinheiro para essas festas. Curas para certas doenças podem acontecer especificamente em dias de festivais para santos. Assim, a cura está intimamente ligada com os ciclos econômicos de uma comunidade e com o calendário litúrgico católico.
O povo encantado italiano pode usar uma variedade de instrumentos para seu trabalho, o que pode sugerir uma ligação entre a Stregheria e a Bruxaria Neo-Pagã. Eles geralmente têm cadernos nos quais rezas, feitiços e encantamentos são registrados - os ancestrais dos atuais Livros das Sombras. Alguns usam armas de vários tipos (adagas, espadas, baionetas e mesmo armas de fogo) para espantar espíritos maus ou simbolicamente cortar certas doenças, como vermes. Cordas e cordões também podem ser usados para feitiços ou amuletos de amarração, enquanto outras ferramentas podem ser totalmente idiossincráticas.
A tradição encantada italiana tem um número de traços que sugerem que alguns aspectos da Stregheria moderna que podem vir de dessas práticas populares, e muitos ítalo-americanos que se vêem como portadores da Stregheria cresceram em famílias que preservaram aspectos da visão de mundo encantado da Itália rural. Como o neo-paganismo e a revitalização da bruxaria, esta forma de vida estava organizada em um ano ritual que seguia os ciclos das estações; o sol e a lua influenciavam os ritmos de trabalho e produção. As mulheres eram reconhecidas como nutridoras e doadoras de vida e eram envolvidas com a manutenção de altares para a figura do divino feminino, a Virgem Maria. Seus ancestrais imigrantes foram portadores de uma tradição de curas que envolviam ervas e práticas espirituais. Eles talvez tivessem mantido registros em cadernos sendo percussores dos Livros das Sombras dos neo-pagãos. Suas ferramentas podem ter incluído facas, espadas ou outras armas que eram usadas para espantar espíritos maus e que seu oficio envolvesse comunicação com ajudantes que tomavam a forma de ancestrais. Uma vez que essas tradições podem ser combinadas com a Bruxaria em narrativas populares, é possível que esse ligação tenha permanecido entre gerações depois da imigração, dando às streghe contemporâneas a impressão que seus ancestrais pertenciam a uma sociedade organizada, hierárquica e secreta de antiga de bruxas. Mas o oficio do povo encantado italiano também difere da Stregheria moderna de formas importantes. Este oficio não era uma religião pagã; não há menção a uma deusa ou deus, ou sobre deidades que vinham ao corpo dos praticantes. Ele existe dentro de uma visão de mundo católica, embora era permitido o contato com espíritos ancestrais, o que marca as práticas como locais, regionais e não eclesiásticas, em natureza. Também é ausente a organização wiccana de ritual, e embora existam algumas similaridades entre o ano wiccano e o ano ritual da Itália rural, isso acontece porque o primeiro é baseado largamente nos ciclos agro-pastorais dos irlandeses, os quais possuem uma herança comum com o resto da Europa, incluindo a Itália.
Mas poderia uma religião antiga pré-cristã envolvendo a veneração de Diana ter sobrevivido na tradição plebéia italiana, para ser trazida para a América do Norte pelos imigrantes? A falta de provas escritas faz qualquer resposta para essa questão ser, no limite, hipotética, mas pelos registros históricos tal cenário seria improvável. Três fatores fazem da sobrevivência de uma religião pagã na Itália dentro do século XX, e sua transmissão através dos documentos de Leland improvável: a forte presença do Cristianismo através da península desde o Império romano; a falta de uma cultura e língua unificadas na Itália até o século XIX; e o relativo isolamento das classes plebéias - aqueles que dizem ter mantido a religião de acordo com o mito Neo-Pagão.
Stregheria e a magia e cura vernacular italiana são, então, tradições diferentes, mas interconectadas. Muitos ítalo-americanos que hoje se vêem como portadores da Stregheria cresceram em famílias que preservaram aspectos da visão de mundo encantado em um contexto imigratório. Enquanto a Stregheria pode ser de ajuda para que os ítalo-americanos possam redescobrir aspectos de suas raízes e sentir orgulho por sua herança étnica, sua forma, estrutura e contexto cultural são marcadamente diferentes daqueles da visão de mundo encantado e suas práticas associadas na Itália. Porém, a Stregheria não deveria ser interpretada como não-autêntica, falsa ou arranjada, pois inovação e volta às tradições são partes dessa prática. A visão de mundo encantada não pode existir no contexto da América do Norte contemporânea e urbana; ítalo-americanos precisam de novos caminhos para reconstruir e preservar a sua autenticidade étnica, e para alguns, a Stregheria satisfaz essa necessidade.
1 Vernacular como regional. Estou seguindo os termos da autora.
2 Bruxaria Hereditária, no Brasil, publicado pela editora Gaia.
3 Povo encantado, como aquele que tem conhecimento do mundo espiritual

A CRIAÇÃO DE "DEUS"

A CRIAÇÃO DE "DEUS"

Desejo, necessidade, carência, emoções, sentimento, prazer e dor. Essas são as forças que comandam o ser humano. Elas originaram todas as criações humanas. Não importa o quão importantes ou insignificantes tenham sido essas realizações. Que necessidades e sentimentos deram origem às religiões? Várias emoções deram origem às crenças religiosas. Sem dúvida, o medo foi a emoção que mais provocou esses sentimentos no homem primitivo.
Medo da fome, de animais, de doenças, da morte e mais uma infinidade. Como o conceito de causa e efeito era mal desenvolvido nesses seres primitivos, eles atribuíam causas sobrenaturais a todos os fenômenos naturais. Como o ser humano era capaz de manipular a matéria e criar artefatos, ele calculou que o mundo era uma espécie de artefato criado por um outro ser ou seres maiores que ele, mas análogo a si próprio. E atribuiu as desgraças e felicidades que lhes aconteciam a esses seres.
Assim, explicavam os acontecimentos recorrendo a causas sobrenaturais. Tudo era explicado através de lendas e mitos. Pois tudo era causado por deuses ou demônios. Não existiam causas naturais em suas concepções. Se tinham um ferimento ou uma moléstia qualquer, não procuravam uma causa natural para os mesmos, já sabiam as causas. Os deuses ou demônios tinham sido contrariados de algum modo. A única maneira de acabar com o sofrimento era através de súplicas a esses seres sobrenaturais. Às vezes, esses deuses ou demônios exigiam sacrifícios.
E os primitivos não hesitavam em obedecer. O conceito de deuses e demônios evoluiu com o tempo, mas, no entanto, a ideia central foi passada de geração em geração. Tanto que ninguém nunca questionou ou questiona até hoje essas ideias. Ideias desenvolvidas pelo homem primitivo. Geradas principalmente pelo medo.
Logo alguns perceberam que esses deuses e demônios podiam ser usados de modo lucrativo. Através deles o povo podia ser levado à obediência. Mães e pais começaram a propagar esse tipo de crença e a gerar demônios aos montes, afinal, é mais fácil controlar uma criança pelo medo do que pela razão. Tanto que, até hoje, existem mais demônios que deuses. A criança ficava mais fácil de ser manipulada se tivesse medo do bicho papão e de todos os tipos de monstros que pudessem imaginar.
Cedo surgiu uma classe de pessoas que se diziam mediadoras entre demônios e deuses e o povo. Diziam que tinham poderes especiais para aplacar a ira desses seres terríveis. Deu-se inicio aos rituais. Assim surgiu provavelmente a mágica, pois o povo precisa de um espetáculo para acreditar que alguém tem poderes especiais. E o que era uma simples mágica se tornava milagres incríveis para o cidadão comum, e dado o desejo de impressionar que motiva a maioria dos humanos, esses truques se tornavam milagres cada vez maiores de geração em geração. Nunca subestime o poder de exagerar do ser humano.
Lógico que toda tribo, todo povo, tinha um líder ou líderes. E esses líderes logo perceberam que o poder que os mediadores entre o natural e o sobrenatural tinham sobre o povo podia lhes ser muito útil. Os líderes tinham o poder da força. Podiam obrigar o povo a fazer o que quisessem. No entanto, nenhum líder quer um cidadão rebelde. Quanto mais mansos, melhores. Ao menos, mansos em relação ao líder. Seria muito mais fácil para eles que os cidadãos aceitassem obedecer de livre e espontânea vontade, e se possível ainda deveriam ficar felizes em fazer a vontade do líder. Daí surgiu um outro uso para a religião.
Quando um líder administrava mal sua tribo, logo achava um demônio ou deus que “estava” atrapalhando seus planos. E pedia aos sacerdotes que aplacassem a ira do mesmo. Afinal, eles não podiam admitir que eram incompetentes. Tudo deveria ser causado por deuses ou demônios. Não existiam causas naturais.
O povo também às vezes se rebelava por achar que o líder tinha atraído a ira de um deus ou demônio. Convinha ao líder respeitar os mediadores, pois os mesmos podiam levar o povo a crer que o único modo de melhorar as circunstâncias era eliminando o líder que tinha atraído a ira dos deuses ou demônios. Daí surgir o respeito dos líderes às autoridades eclesiásticas. O líder tinha a força como poder, mas os mediadores tinham deuses e demônios como ferramentas. E que forças terríveis elas são.
E assim o poder secular e o poder eclesiástico começaram o seu reino. E religião e política sempre andaram ligadas desde então. Um casamento duradouro. Outros fatores contribuíram para o advento da religião, é claro.
Nos baseamos nas qualidades de nossos pais e líderes para explicarmos as qualidades e defeitos de Deus. Todos os atributos, bons e ruins, vieram desse tipo de comparação. Queremos o apoio e o carinho de nossos pais, e é claro, queremos o mesmo de Deus. Agradamos nossos pais e líderes, e sendo Deus uma superautoridade, queremos agrada-lo mais ainda. Tememos nossos pais e líderes e o mesmo acontece com Deus.
Esse Deus social pune e recompensa. Apoia e auxilia. Nos conforta em tempos difíceis. Nos protege quando estamos em perigo. Esse Deus tanto pode ser pessoal, como tribal ou pode incluir até mesmo toda a raça humana. Mas ele veio de uma comparação com as autoridades em nossa vida. Daí muitas religiões pregarem que a rebeldia contra uma autoridade qualquer seja uma rebeldia contra Deus. Desobedecer ao pai seria semelhante a desobedecer a Deus. Desobedecer ao rei é desobediência à Divindade.
O medo da morte é uma outra grande motivação para as religiões. Todos morrem. Nossos pais morrem. Nossos filhos morrem. A morte está em toda parte. Para que você viva, algo tem que morrer. A morte é o preço da vida. Afinal, ninguém pode viver comendo pedras. Só seres vivos podem nos dar a energia para continuarmos vivendo.
O problema é que ninguém quer morrer. Todos se agarram à vida. É um instinto natural em todos os animais. Mesmo quando a vida é insuportável, os seres se agarram a ela. Seres humanos não poderiam escapar a esse apego ferrenho. Todos tentam preserva-la a todo custo.
Como os seres humanos são provavelmente os únicos animais a saberem que vão morrer, como essa ideia nunca os abandona, como esse medo é mórbido, a criação de um Deus não poderia ficar de fora.
Um único Deus não poderia explicar todos os fenômenos, daí todas as religiões terem demônios para explicar as coisas ruins, e daí também a ideia de um Grande Diabo. O chefão de todos os demônios. Pelo que eu saiba, nenhuma religião conseguiu escapar da criação desse ser. De algum modo, ele sempre existe.
Com o passar dos tempos, os seres humanos não se contentaram mais em simplesmente ter uma vida boa. Precisavam de algo mais. E também não suportavam a vida que levavam, pois a mesma sempre foi cheia de problemas. Tinham que defender seu conceito de Deus diante de tantas desventuras, daí o Diabo. Mas achavam que tinha que haver um plano de existência em que o Diabo não participasse, um plano perfeito, pois ninguém conseguia acreditar que essa nossa vida imperfeita fosse a única.
O ser humano começou a imaginar como seria uma vida sem a necessidade da morte. A morte, a grande destruidora. A morte, que torna todos os esforços inúteis. A morte, que sempre interrompe os planos dos mais prudentes. A onipresente morte. O ser humano tem uma imaginação estupenda. Quando concebe algo, tem o poder de criar as formas mais incríveis de realidade. E como a vaidade nos leva a nos agarrarmos a nossas ideias, e dado o fato de a ciência não existir num passado muito remoto, chegamos a acreditar veementemente em nossas ideias e imaginações. Não importando o quão sublimes ou ridículas elas fossem.
Do fato de não nos conformarmos com a morte, de desejarmos viver, não importando em que condições, surgiram todas as ideias sobre vida depois da morte. Afinal, como justificar um Deus todo bondade, se não inventarmos uma realidade em que o mal não existe? E para que Deus seja bondoso, como queremos que seja, precisamos inventar um céu. O céu é aquilo que o mundo deveria ser segundo expectativas humanas. As escrituras judaicas exemplificam bem tanto a religião do medo como a religião da moral, pois contêm ambos os fatores em seus dogmas. Deus está sempre ali tanto para punir como para recompensar, e é um moralista em todas as áreas da existência humana.
Todas as religiões tratam da moral e da ética e dos bons costumes. Mas, muitas vezes, o fato de fixarem pensamentos em forma escrita dificulta a evolução moral. Muitos acham que o que está escrito foi escrito por Deus e, portanto, é imutável. Mas o que deu origem à moral foi um fato passado que muitas vezes não existe mais. A religião moral é superior à do medo. No entanto, quase nenhuma religião contém somente um elemento, mas elementos tanto de medo como de moral. Geralmente os elementos mais avançados da sociedade seguem mais a religião da moral, e os mais atrasados a do medo.
Deus sempre é antropomórfico. Deus é sempre um homem gigantesco na maioria das religiões. Com todas as qualidades e defeitos do homem. Defeitos e qualidades ampliadas a proporções gigantescas, é claro. Isso acontece porque o homem não consegue conceber algo além daquilo que é. Ou daquilo que seus sentidos mostram.
Outros acreditam que Deus é algo inconcebível. Daí termos que acreditar pela fé ou não acreditar, pois não temos como provar a existência de tal ser. Ele está além de nossos sentidos, além do natural. Ou seja, ele é sobrenatural. Mas é impossível ao homem falar de algo que não conhece pelos sentidos. Daí usarem um palavreado incompreensível aos não iniciados.
Poucos indivíduos passam desse nível de Deus antropomórfico. Só as camadas mais avançadas da população chegam a conceber um Deus como uma força, algo totalmente diverso do ser humano. Algo transcendente. As religiões do Oriente chegaram a transferir esse pensamento para muitos dos membros da população. Mesmo assim, o povo, na sua maioria, não consegue conceber Deus como uma força. As religiões do Oriente não conseguiram passar esse pensamento nem para as camadas mais avançadas, muitos tem esse pensamento, mas a maioria ainda ora para um Deus pessoal. Parecido com ele mesmo, e a ideia de que o homem é a imagem de Deus ainda torna esse pensamento mais difícil de mudar.
Existe uma outra forma de conceber Deus. Podemos concebe-lo como o Cosmo. O Universo. Tudo que existe. Essa forma se chama Panteísmo. Que é uma forma de adorar o Universo chamando-o de Deus. Essa forma de adoração esta presente em todos os níveis. Muitas tribos primitivas adoram a natureza e a chama de Deus, e muitas pessoas avançadas são ateias, mas veneram tanto o Universo que o mesmo se torna Deus.
Alguns indivíduos adoram a ordem que permeia o Universo como a um Deus. Sentem um sentimento de encanto ante a imensidão do cosmo, a ordem e as leis que o regulamentam. Sentem grande prazer em descobrir tudo sobre esse cosmo. Esses são, em geral, cientistas que se contentam em deixar seus desejos mundanos (ligados ao mundo) de lado, e se concentram em descobrir os mistérios que os permeiam. Esse mistério e seu desvendamento se tornam uma religião para eles. Einstein é um exemplo desse tipo de pensamento, assim como Espinosa.
Eles procuram experimentar o Universo como um todo harmônico. E para isso, têm que se desvencilhar dos pensamentos voltados para si próprios, dos desejos e problemas individuais — e se concentram no cosmo e seus mistérios como missão de vida, e não em dinheiro e problemas pessoais.
É claro que esse tipo de religião nunca agradou a maioria. Essa maioria está mais interessada nos problemas do dia-a-dia e precisam de um Deus mais mundano que possa lhes ajudar a superá-los. Precisam de um Deus pessoal que lhes entenda e lhes ajude nas horas mais difíceis. E o Universo ou cosmo é indiferente às suas criaturas. O Universo não é nem bom nem ruim. Ele simplesmente é neutro. Não se preocupa com as criaturas que nascem dele.
O ser humano quer ser visto, de algum modo, quer se sentir importante, importante para alguém, sua vaidade não vai deixar essa ideia morrer facilmente. Dessa forma percebemos qual é a grande diferença entre religião e ciência. A ciência se baseia nas leis da Causa e Efeito e, portanto, não pode conceber que exista um ser mudando as leis segundo caprichos de sua vontade. Para a ciência, tudo tem uma explicação natural, não sobrenatural. As causas de todos os males ou bens do ser humano são naturais e não sobrenaturais.
Um cientista não acredita nem na religião do medo e nem na da moralidade. Moralidade concerne somente aos seres humanos e não ao Cosmo. Um Deus que pune e recompensa é inconcebível para ele.
Todas as ideias dos homens vêm de fora de algum modo. Da sociedade que o cerca, dos livros que lê, das influencias da sua vida. Além de influencias de sua própria natureza. Pois cada um tem um modo de ser que é determinado pelos seus próprios genes. Alguns nascem calmos, outros agitados. Uns com propensão à violência, outros não.Uns são tigres, outros coelhos assustados. Uns tem corpos altos e fortes, outros são baixos e fracos. E assim por diante.
Como pode Deus castigar ou punir alguém quando pelo menos 90% da personalidade de uma pessoa são determinados por causas acima de seu controle? Além do mais, existem várias religiões na Terra. Cada uma com regras específicas para se entrar no céu. Sendo assim, como pode uma pessoa ser salva simplesmente por ter tido a sorte de nascer no local adequado? Sabemos muito bem que 90% das pessoas adotam a religião de seu local de origem ou uma variante da mesma. E mesmo quando mudam de religião radicalmente nunca conseguem deixar por completo as crenças adquiridas na infância. Mudam de religião, mas seu comportamento continua compatível com as crenças anteriores. Cercado como está de influências tanto internas como externas acima de seu controle, que critério usaria Deus para julgar o homem?
O comportamento ético de um ser humano deve se basear em suas necessidades sociais e individuais, a religião não precisa entrar nessas questões. O melhor guia para o comportamento social é a razão. Tudo gera consequências. Toda causa gera um efeito. Regras fixas de comportamento não são compatíveis com o ser humano, pois fatos sociais mudam o tempo todo. O exemplo do sexo que dei acima é um deles. Quando a religião tenta engessar um tipo de comportamento, está indo contra o próprio progresso humano, pois tenta fixar aquilo o que não deve ser fixado. O ambiente muda o comportamento. E um comportamento mal adaptado leva ao sofrimento. Todo organismo deve fazer tudo para sobreviver da melhor maneira possível, e a maneira pela qual um ser humano sobrevive é usando sua mente para seu benefício e para o benefício da sociedade como um todo. Se cuidar de progredir, acabará ajudando a todos.
A educação tem um papel fundamental como meio de influenciar o comportamento dos indivíduos. Convém ensinar as pessoas a pensar e a agir em sociedade. As escolas deveriam se voltar para formar um bom cidadão e não somente fazer com que pessoas acumulem conhecimentos que nunca serão utilizados. A escola deveria ensinar lógica, matemática e línguas desde o começo. A lógica serve para evitar que as pessoas sejam presas fáceis de qualquer aproveitador que apareça pela frente.
A religião mantém as pessoas na infância eterna. Sempre se entregando a alguém para resolver seus problemas pessoais. A falta de consciência em suas faculdades mentais e o complexo de inferioridade faz com que muitos parem de pensar logicamente e se entreguem a todo tipo de pensamento, por mais absurdo que seja.
As pessoas raramente analisam as tradições de seu povo. Simplesmente aceitam tudo. Será que isso é bom para a raça como um todo? Será que não precisamos de mais rebeldes ao invés de mais conformistas? Todo avanço foi uma rebeldia. Uma rebeldia contra os padrões vigentes. Rebeldia não significa ser do contra, significa ser verdadeiro consigo próprio. Fazer as coisas em que se acredita, e não fazê-las simplesmente por que todos fazem. Rebeldia também não é ir contra tudo só para ser diferente. Rebeldia é fidelidade à nossa natureza intima. Não é ser do contra ou a favor. É ser integro com o que se acredita.

Sobre o autor: José Moreira da Silva é formado em Filosofia pela Universidade de Nova Iorque e atualmente é professor de inglês, tradutor e intérprete, e dedica-se ao estudo da natureza humana através da psicologia, filosofia e religião.