terça-feira, 17 de maio de 2011

DIANTE DO ORÁCULO

Texto de Paulo Urban, publicado na Revista Planeta, edição nº 370, julho/2003 
Paulo Urban é médico psiquiatra e Psicoterapeuta do Encantamento.
Antiqüíssimas e incontáveis são as artes divinatórias. Desde que o ser humano deu-se conta da brevidade de sua existência e aprendeu a observar o mundo, a preocupação em preservar sua espécie o acompanha em sua evolução. Também o pensamento mágico provém de épocas remotas, tendo sido o único elo capaz de explicar o meio e seus fenômenos aos nossos antepassados pré-históricos.
A necessidade de se prever o futuro evidentemente nasceu atrelada à questão da sobrevivência humana. Para que pudessem estabelecer-se em suas respectivas regiões geográficas, as civilizações se dedicaram a compreender o comportamento cíclico da natureza no intuito de antever seus fenômenos climáticos, seus reveses atmosféricos, as épocas de cheia ou de vazante de seus principais rios, a chegada do frio ou do calor etc, de modo a garantir a preservação de suas culturas ao longo das gerações vindouras. Conhecimentos astronômicos tornaram-se cruciais na demarcação das estações e contribuíram para o nascimento de diversos tipos de calendários, lunares ou solares, com o que as civilizações puderam melhor planejar seu cotidiano na esperança de sobrepujar as dificuldades e vencer o amanhã.
Diante do Oráculo
Práticas oraculares de toda espécie, das mais simples às mais complexas, frutificaram abundantemente desse casamento natural entre o pensamento mágico dos homens e sua intenção de impor sua vontade soberana sobre o meio, no sentido de controlar as forças naturais (ou ao menos prever seu comportamento) e saber agir em concordância com elas. Sábios astrólogos, sacerdotes, xamãs e feiticeiros, profetas e videntes, magos e outros iniciados sempre representaram para suas respectivas culturas essa ponte sagrada entre nossa realidade comum e as hostes sobrenaturais, entre nossa vida frágil e temporânea e o seguro saber ancestral, e puseram-se a instruir seus povos em acordo com a vontade dos deuses, via de regra revelada por meio da linguagem oracular. 
Inúmeras práticas mânticas ou mancias (o termo se origina do grego mantéia, vaticínio, adivinhação) se desenvolveram ao longo da história da humanidade. Dessa variedade infinita, citemos algumas práticas curiosas: piromancia, adivinhação pelo fogo vivo e pelas cinzas deixadas após a queima; 
Hidromancia
Hidromancia
hidromancia, vidência através da água; cataptromancia, a envolver o uso de um espelho mágico; litomancia, previsão realizada por meio das pedras (incluem-se as runas); cristalomancia, 
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Clarividência
vidência clássica pela bola de cristal; astragalomancia, (comum na Grécia antiga) leitura da sorte por meio de ossos que são atirados ao chão; hipnomancia, previsão baseada na interpretação dos sonhos; ornitomancia, vaticínio feito em acordo com o surgimento ou comportamento de certos pássaros; ofidiomancia, idem em relação às serpentes; rabdomancia, quando a prática envolve o pêndulo ou a forquilha, essa comumente destinada ao encontro de mananciais de água;
Vidência pelas borras do café
Vidência pelas borras do café
cafeomancia, que consiste em observar as borras do café deixadas no fundo da xícara, muito em voga na Europa a partir do século XVII; 
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Quiromancia
quiromancia, arte de ler o destino pelas linhas da mão; cartomancia, que se vale de baralhos e tarôs;  hepatesplancnomancia, comum entre babilônios e egípcios, analisa as vísceras dos animais mortos e infere a partir de seu estado; 
Necromancia
necromancia, técnica de invocar os mortos e questioná-los sobre o passado ou o futuro; e não nos esqueçamos da
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Astrologia
astrologia, uma das artes mais complexas e difundidas que também pode propor-se à futurologia, guardadas suas diferenças de método ou de interpretação conforme suas origens caldéia, árabe ou chinesa, entre outras “astrologias” menos difundidas.   
Mas como devemos nos comportar diante dos oráculos? Como interpretar sua linguagem e interpretar seus desígnios? Como aproveitar seus vatícinios para que nossos passos encontrem seu caminho? Peçamos à história um exemplo clássico que nos favoreça nessa dúvida.
Creso, rei da Lidia.0.3
Creso, rei da Lídia
Creso, rei da Lídia, região da Magna Grécia, no século VI a.C. pretendia invadir a Pérsia, mas há anos atormentava-lhe a dúvida quanto à sorte desse seu empreendimento. Não acostumado a confiar seu coração a ninguém, decidiu ir ter pessoalmente com o oráculo de Delfos, consagrado a Apolo. Delfos era um templo elitista, que respondia a seus célebres visitantes em troca de consideráveis tributos doados aos sacerdotes que administravam o local de peregrinação.
Havia, por certo, oráculos mais populares, que pouco ou nada cobravam, como o de Acaia, dedicado a deus Hermes, companheiro dos homens comuns. Em Acaia, entretanto, o visitante devia aproximar-se do altar central, situado sob um pórtico feito de pedra, a herma, e bater com a testa sobre ela, para dali sair muitas vezes sangrando, dando lugar ao seguinte da fila, com as mãos tapando os ouvidos de modo a destapá-los somente fora do templo, em meio à multidão. O primeiro barulho que o consulente atordoado discernisse em meio ao murmurinho e o vozerio do povo, seria a sentença de Hermes a orientá-lo em sua dúvida.
Creso, porém, escolhendo algo mais condizente com sua nobreza, resolveu expor sua questão diante das sacerdotisas de Delfos, chamadas sibilas, ou pitonisas. Ambos os nomes guardam relação com a serpente Píton, que Apolo teria estrangulado na caverna onde fora erguido seu templo. Tais mulheres, geralmente virgens, eram selecionadas desde a pré-adolescência para tal função. Preferia-se ainda as epilépticas, posto que suas crises convulsivas eram vistas como traço notável da incorporação das divindades. Em sua preparação para atuar em transe, as pitonisas mascavam folhas do loureiro e bebiam água sagrada da fonte Cascália, que brotava do rochedo Nimpéia, bem como ingeriam outras poções alucinógenas. Respondiam aos consulentes geralmente seguindo orientação prévia dos sacerdotes, e o faziam em meio a gemidos estridentes e pantomima dramática, que às vezes as faziam cair do alto da trípode, um assento de ferro firmado sobre um tripé, colocado ao fundo do templo caverna, à boca de uma estreita fenda abismal de onde, na Antigüidade, possivelmente, desprendiam-se gases e vapores inebriantes.
Oráculo de Delphos
Oráculo de Delphos
Creso obteve ali sua sentença: “Ao cruzares o rio, destruirás um grande império”. Satisfeito com a resposta, ofereceu maiores recompensas aos sacerdotes de Delfos, retornou à Lídia, armou às pressas seu exército, invadiu a Pérsia e… foi derrotado! Teria errado o oráculo?
Ora, observe o leitor que o oráculo não disse a Creso qualquer inverdade; foi ele quem projetou na resposta seus desejos sem que sequer parasse para pensar que o império destruído poderia ser o seu. Difícil é crer que pitonisa alguma pudesse saber de antemão qual dos exércitos venceria; entretanto, na sentença oracular, sabiamente formulada, estavam guardados os elementos necessários para que Creso melhor refletisse acerca de sua questão.
Consulta quiromântica
Consulta quiromântica
Aprendemos daí como operam os oráculos, que tanto melhores são quanto mais ambiguamente expressam seus vaticínios, posto que cabe sempre ao homem, em última análise, decidir quanto a seus passos por si só. Tivesse Creso maior discernimento, poderia interpretar a dúbia resposta como uma séria advertência para que melhor se preparasse para a guerra, o que talvez o levasse ao êxito em vez do fracasso. Não fosse a estupidez de se precipitar ao encontro do destino, quem sabe este lhe reservasse melhores circunstâncias.
O fato é que não devemos levianamente esperar encontrar respostas prontas em qualquer sistema oracular, clássico ou moderno, simples ou complexo, tradicional ou exótico. Todos eles, entretanto, podem muito bem servir como ampliadores de nossa consciência, como nova luz sobre nossa senda pessoal, como agentes de interlocução que nos permitem transcender o padrão meramente racional com que costumamos lidar com os problemas da vida. Estimulados por uma consulta oracular, somos levados a perceber aspectos intuitivos e subjetivos importantes, que permaneceriam ocultos e esquecidos não fosse a arcaica propensão humana em valorizar os sinais mágicos que a vida oferece.
Sigamos em nossa proposta: como proceder com uma consulta oracular? Antes de tudo, importa ter de forma clara em nossa mente a pergunta que desejamos formular. Ainda que as respostas oraculares apresentem-se enigmáticas e sábias devido à sua ambigüidade, o mesmo não deve ocorrer com nossa questão. Este preceito, ao menos, Creso cumpriu devidamente. Observe, portanto, o leitor, se sua pergunta já não encerra em si mesma contradições, que só trariam maior confusão diante da tarefa de interpretar qualquer resposta.
Uma vez de posse da pergunta, podemos ainda nos valer de certos procedimentos ritualísticos (próprios ou já sistematizados) que nos ajudem a agir com seriedade e determinação em nosso intento. A bem da verdade, tais procedimentos, quaisquer que sejam eles, são absolutamente prescindíveis caso sejam repetidos como simples superstição. Podem, entretanto, devido a seu caráter eminentemente simbólico, ser oportunos no intuito de nos preparar psicologicamente para a leitura de nosso oráculo. O uso de velas e incensos, por exemplo, pode favorecer a aclimatação propícia à alma sedenta de luz. Velas representam a brevidade de nossas existências, que se extinguem cada qual ao fim de sua cera; já o incenso, simboliza a perseverança anônima com que devemos buscar nossas respostas, posto que ele queima com silenciosa nobreza, purificando o ambiente e a relação entre o consulente e seu oráculo.
O principal, entretanto, é saber que os oráculos são porta-vozes do “si mesmo”. É relevante ter em mente que não são eles que respondem às perguntas, mas sim a alma sincera daquele que investiga é que se banha no fenômeno da sincronicidade (ou das coincidências significativas), que nos ensina a ler e interpretar os sinais à nossa volta, de modo a nos esclarecer diante dos momentos chave da vida.
Toda leitura oracular é um exercício de imaginação, e as sincronicidades expressam a riqueza desse jogo. Os antigos gregos diziam kairós (que se traduz por “tempo e/ou lugar convenientes”) para expressar a idéia de algo que não acontece por acaso, mas sim porque combina com toda a particular configuração da natureza em determinado instante.
Zózimo, alquimista grego do século IV, valia-se desse conceito para especificar o momento oportuno das mudanças, instante cosmologicamente propício para determinada ação humana “dar certo”. “Todo e qualquer fenômeno do cosmos, se bem aproveitado, pode levar o homem à sua glória”, entendia Zózimo.
Consulta ao I Ching com varetas de mil-folhas
Consulta ao I Ching com varetas de mil-folhas
Para sabermos “ler” as mensagens ou imagens oraculares é necessário que estejamos em sintonia com o movimento das coisas. Ora, tomemos as cartas do tarô ou os textos do I Ching, bons exemplos do universo oracular, eminentemente simbólico. O tarô se apresenta por figuras complexas que dizem respeito a experiências marcantes, consideradas arquetípicas; já o I Ching, revela-se por textos enigmáticos incapazes de dizer qualquer coisa com maior grau de precisão; ambos os oráculos permitem, outrossim, que sejam interpretados segundo uma subjetividade inesgotável, a partir de cada um de seus observadores.
Seja qual for a espécie do oráculo, os 64 hexagramas do I Ching, as 78 cartas do Tarô, as 25 pedras das Runas etc…, o que vale são as abstrações que o consulente traduz de seu conjunto. Pouco importa se nos “saiu” esta ou aquela frase, carta ou pedra, até porque não se encontram nestas frases, cartas ou pedras nossa sorte ou destino. Admitir isto seria isentar-nos da responsabilidade sobre o arbítrio; o que, convenhamos, não é propriamente uma idéia saudável.
Runas
Runas
Interpretar sentenças oraculares exige abstração e nos pede que saibamos estabelecer analogias, mediante parâmetros subjetivos, portanto pessoais, dedicados a avaliar e sentir o momento vivido, independentemente das barreiras do tempo. Tal pensamento permeia também a astrologia, devotada a inferir relações analógicas profundas a partir do dinamismo e das qualidades atribuídas aos astros ou conjunções celestes, no intuito de melhor compreender a natureza humana, o que bem representa a sabedoria psicológica que os antigos já possuíam.
Os oráculos, paradoxalmente, ao contrário do que muitos pensam, prestam-se bem mais para lançar luz sobre o presente do que para fazer adivinhações acerca do futuro; afinal, o único tempo que realmente existe é o do aqui e agora.
Convém dizer ainda que nenhuma resposta oracular vale mais do que aquela que nos faz perceber algum aspecto antes não observado, e que, portanto, ela é única, não devendo sequer ser trocada por outra ou desconsiderada. Cada evento sincronístico é importante por si só; relaciona-nos ao momento particular e confere, pelo tanto de significado que em nós desperta, algo do sentido que desejamos dar às nossas vidas.
Lancemos nossas cartas, nossas pedras, nossas tavas… Consultemo-nos com o verdadeiro grande oráculo, oculto por detrás de qualquer sistema oracular: nosso Eu Interior. Ouçamos o que ele nos diz de verdadeiro e honesto. O próximo passo será bem mais seguro e o amanhã estará compromissado com nossa maior responsabilidade.

terça-feira, 29 de março de 2011

Devemos resolver os nossos problemas sem jogá-los para os outros.

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Devemos resolver os nossos problemas sem jogá-los para os outros.

Olá! Povo,  hoje vinha para casa pensando : “Quem não tem problemas?”
Se alguém aqui me disser que não tem problemas estará mentindo com certeza, pois os problemas fazem parte da vida, sem eles não teríamos um aprendizado, não amadurecemos.
Porém, algumas pessoas por egoísmo ou falta de senso, tendem a jogar os seus problemas para que outros resolvam e pior, acham que a pessoa tem por obrigação resolver os problemas e infortúnios da vida dela. Gente, quem age assim é um tremendo egoísta e só olha para o próprio umbigo, será que as pessoas que tendem a despejar seus problemas nos outros não percebem que o outro também tem suas dificuldades?
Sabe, tem horas que me canso, pois faço tudo que posso pelas pessoas mais elas querem sempre, mas e mais e mais e nunca estão satisfeitas e se você da as mãos também querem os pés. Não sei se porque todas as vezes em que tive meus problemas a única pessoa que esteve ao meu lado foi a minha mãe, pois nessas horas os ditos “amigos” sumiam , então aprendo a resolver meus problemas sozinha mesmo, sem esperar nada de ninguém e sem cobrar as pessoas.  O que estou tentando dizer com isso, é  que não devemos fazer as pessoas de muletas, devemos aprender a caminhar sozinhos, não devemos cobrar das pessoas mais do que elas possam fazer por nós, e isso quando podem fazer.
Muitas pessoas me procuram pedindo ajuda para os mais diversos problemas, meu trabalho é mostrar à elas que não precisam de muletas, não devem esperar milagres de mim, no caso das cartas por exemplo elas podem até apontar uma direção, mas o destino quem faz somos nós.
As pessoas quando estão no olho do furacão acham que as cartas podem resolver tudo, mas não podem, trabalhos e magias podem até ajudar, mas não fazem milagres...
Por tanto meus amigos, quem tem seus problemas que os resolva, pois a solução está dentro se vocês, dentro de cada um de nós, não esperem que o outro vá resolver sua vida e não transfira seus problemas para terceiros, porque problemas todo mundo tem.

Paz e Luz a todos

Sarah Crow

terça-feira, 22 de março de 2011

Deusa Bastet a deusa gata do Egito

DEUSA BASTED

                                                                 
 
Durante grande parte da história egípcia, animais vivos associados a deuses foram criados nos templos, onde viviam com mimado luxo. Um crocodilo que representava o deus do Sol, da Terra e da Água descansava no tanque do templo Crocodilópolis. O íbis de Thot era guardado em Hermópolis. Uma gata que representava uma Deusa da alegria e do amor vivia preguiçosamente num templo em Bast. E, quando estes animais morriam eram mumificados  como seres humanos.


O culto dos animais e da natureza é comum às sociedades primitivas, nas quais o homem é dominado pelo mundo que o cerca e existe graças a ele. Mas, a medida que este homem adquire mais experiência e aprende a enfrentar a natureza, o respeito pelos mistérios naturais diminui ao mesmo tempo que aumenta a valorização das qualidades humanas. Neste momento, seus deuses passam por um processo de transição de conceitos zoomórficos para antropomórficos, abandonando a forma animal para assumir a forma humana. Foi exatamente o que ocorreu com os egípcios. Algum tempo antes do advento da Primeira Dinastia, o antromorfismo, concepção dos deuses sob forma humana, apareceu na religião egípcia.

Mas a tradição não morre com facilidade e os velhos conceitos religiosos não são substituídos da noite para o dia. Os egípcios incorporaram o antropomorfismo pouco a pouco, fundindo as três idéias da natureza, do animal e do homem. Uma das primeiras divindades que experimentaram esta fusão foi Sekhmet com sua cabeça de leoa.
No Templo de Luxor, cães e gatos viviam em paz. Mas os egípcios não olhavam para eles com olhar indiferente ou compassivo. "Estes seres", diziam eles, "são receptáculos da alma. Não têm necessidade de conhecer os espíritos porque eles são os espíritos."
                                                                  
 



Bastet é a Deusa gata de Bubastis (cidade do Delta do Nilo), era guardiã das casas, feroz defensora de seus filhos, representando o amor maternal. É também a Deusa de música e da dança, protetora de todos os gatos, mas inimiga das serpentes. Filha do Sol, encarna o aspecto pacífico da deusa Sekhmet.
Os egípcios parecem ter tido dificuldades para dissociar estas duas divindades e dizem que Bastet e Sekhmet são uma única pessoa com personalidades e características diferentes. A primeira é amável e sossegada, enquanto que a segunda é guerreira implacável. Quando Bastet se enfurecia transformava- se na terrível Sekhmet uma leoa que punha fogo  pela garganta. Passada da cólera metamorfoseava- se novamente em gata, reassumindo sua docilidade.
Pelo seu aspecto colérico é associada a Sekhmet e, em virtude dessa identificação com a esposa de Ptah e ma~e artificial de Nefertum (o filho de Ptak e Sekhemet). Mahés, o deus da cabeça de leão, era também visto como seu filho. Em outra assimilação, é aproximada de Mut (Mut-Bastet) , chegando a ser chamada de "Senhora de Icheru", título de Mut.

Em sua forma primitiva era representada como uma mulher com cabeça de leoa, que levava em uma das mãos a cruz ankl, símbolo da vida e na outra, um cetro. Mais tarde, adota a iconografia de uma gata. Esta gata aparece então, majestosamente erguida sobre suas patas traseiras e adornada com jóias (brinco na orelha), ou como uma mulher com cabeça de gata.

Quando se apresenta na forma de gata, essa Deusa está ainda, conectada com a Lua. Quando representada na forma de leoa é associada à luz solar. Bastet também é conhecida como a "Senhora do Leste", enquanto que Sehkmet é a "Senhora do Oeste". Bastet é esposa e irmã do deus Sol e a alma da Isis. Bastet era sempre representada com uma ninhada de gatinhos a seus pés para simbolizar a fertilidade.
O gato, tão amado pelos egípcios, não era apenas um felino ardiloso e inteligente. É também a encarnação de Rá, de Hathor e de Bastet. O templo de Bastet mantinha gatos sagrados que eram embalsamados em grande cerimônia quando morriam. Todo aquele que matasse um gato no Egito recebia sentença de morte. Gatos pretos eram especialmente sagrados a Bastet, por isso é muito tê-los em casa. O símbolo do gato preto era utilizado pelos médicos egípcios para anunciar a sua capacidade de cura.
Pensava-se que os sacerdotes de Bastet tivessem criado o gato doméstico a partir do "cerval", felídeo africano conhecido no sul do Saara.
O sistro e o espelho de Hathor eram decorados com gatos. Este animal representava a lua (Pasht). O nome egípcio para o gato era "Mau". O gato foi domesticado logo no início e era muito valorizado por ser matador de cobras.
O gato está claramente associado à Grande Deusa e, portanto, ao ciclo Fecundidade- Fertilidade- Sexualidade-Á gua-Lua. Segundo Robert Graves, não é muito difícil imaginar porque os gatos são considerados particularmente sagrados em relação à deusa-Lua:"Os olhos dos gatos brilham à noite, eles se alimentam de camundongos (símbolos de epidemia); copulam abertamente e se deslocam sem ruído; são prolíficos, mas podem devorar seus próprios filhos; suas cores variam, como as da Lua, do branco ao vermelho e ao preto.
Bast é a mãe de todos os felinos identificada pelos gregos, com Ártemis ou Diana, também chamadas de mãe dos felinos. Ela pode ser honrada com a criação de um pequeno santuário em seu jardim, posicionando uma estátua de gato no centro dele. Para você pedir suas bençãos, prepare um pequeno altar dentro de sua casa com fotos ou estátuas de gatos, pode ser qualquer tipo de felino. Coloque junto fotos de sua família e acrescente duas velas verdes em pontos distintos. Pronto, agora você estará com a proteção de Bastet.
No Império Novo, patenteia ainda a sua vertente de Deusa leonina da guerra, para conhecer, no período líbico, a sua fase de apogeu como divindade nacional, quando Bubastis, passou de capital do 18º sepat do Alto Egito a capital do Egito, durante as XXII e XXIII dinastias.
Chechonk I (924-889 a,C,) e vários outros representantes da XXII dinastia (líbica ou bubástica) auto-qualificaram- se de "filhos de Bastet", refeletindo a antroponímia do Egito líbio e sua crescente popularidade.
A Deusa Bastet acabou convertida em objeto de caça as bruxas na Idade Média devida a sua associação com as mulheres e com a Lua. É possível que o nexo de Bastet com os gatos fizera com que estes fossem perseguidos juntamente com as mulheres acusadas de bruxaria.


Acredita-se que a dança do ventre tenha sua origem há mais de 5 mil anos no Egito Antigo. Era praticada pelas altas sacerdotisas em rituais para a deusa Ísis. No Egito, a dança contava a história dos deuses, modo bem simples de transmiti-la para o povo. A dança substituía as cartas, sendo que cada movimento do corpo tinha um significado próprio.

Em meados de abril, as sacerdotisas de BASTET (deusa que representava os poderes benéficos do Sol) desciam o rio Nilo, anunciando as festividades em homenagem à Deusa. Para tanto usavam uma espécie de sino de metal, que mais tarde foi substituído pelos snujes (as castanholas árabes). Acreditava-se também que ao dançar com os snujes, a bailarina purificava o ambiente, espantando os maus espíritos.

TEMPLO DE BASTET
Antigamente a cidade que abrigava o templo de Bastet se chamava de Per-Bastet,  "Casa de  melhores descrições: "Outros templos podem até serem maiores, mas nenhum dá tanto prazer de olhar". Ele fala do santuário situado no centro da cidade e rodeado de água por grandes canais que davam ao lugar o aspecto de uma ilha. Quando em seu interior, se elevava um bosque com árvores gigantescas, que circundavam o amplo tempo onde repousa a estátua da deusa.
A devoção zoolátrica dessa época reconhece o gato como uma manifestação da Deusa. Em Bubatis, além do templo da Deusa (escavado por E. Naville, entre 1887-1889), havia vastos cemitérios de gatos sagrados, onde se encontravam maravilhosos bronzes representando esses animais.

Heródoto, visivelmente fascinado com o culto por esta Deusa, explica suas cerimônias religiosas: "quando os egípcios comemoravam as festas em Bubatis, se comportavam da seguinte maneira: vão até o rio, homens e mulheres em grande número, que lá chegando se amontoam em embarcações... Ao chegar no santuário, honravam a Deusa com vários sacrifícios e bebiam então muito vinho. Segundo o povo desta região, chegavam a se reunir entre homens e mulheres mais de 70.000 pessoas. Estas festas são comemoradas até hoje no mês de abril. Cerca de 100 mil gatos mumificados eram enterrados em cada festival, em honra da felina "Virgem-Deusa" .
Segundo Claudinei Prietro, "o culto a Bastet já era praticado na primeira Dinastia. Ela era homenageada com longas procissões à luz de tochas e com mistérios sagrados, como Deusa da Magia e Tecelagem. Aquela que não nasceu, mas gerou a si mesma. Os egípcios celebravam o banquete de Bastet com música alegre, dança e bebida numa festa de alegria e prazer total, onde seus adoradores balançavam um sistro durante a celebração para homenageá-la. "
CORRESPONDÊNCIAS: (retirado de "Todas as Deusas do Mundo" de Claudinei Prietro)
Símbolos: sistro, Lua, Sol, ankh, olho de Hórus.
Dia: Domingo
Cores: verde, laranja, dourado, amarelo.
Aroma: açafrão.

Bastet lhe acaricia com sua pata convidando-a( o) para brincar. Está na hora de você se distrair, deixar de ser pessoa tão séria e preocupada e cair no mundo da brincadeira. Brincar parece infantil para você? Você ainda se lembra que alguma brincadeira de sua infância? Talvez você tenha trabalhado tão duro todo este tempo que se esqueceu de fazer uma pausa para diversão. Bastet diz que brincar é um modo de alimentar sua totalidade, pois nem só de pão vive o homem. E o alimento da alma? Está na hora de se descobrir maneiras de brincar! A primeira vez que chamei Bastet para brincar, a vi deitada em areias mornas e douradas, apreciando e sugando o calor do sol e a brisa do oceano. Ela mostrou-se para mim como uma mulher com um longo vestido todo em ouro. Bastet é o perfume mais delicado e doce da alegria, que dança a música da sensualidade. Eu usei o olho de tigre dourado para encontrá-la.

HORA DE BRINCAR COM BASTET


Procure um lugar onde você possa ficar tranqüila(o). Sente-se confortavelmente com a coluna ereta e feche os olhos. Inspire profundamente e expire devagar. Respire fundo outra vez, inalando grandes porções de contentamento cor-de-rosa. À medida que solta o ar, deixe o contentamento espalha-se por todo o seu corpo.

Inspire profundamente e enquanto solta o ar, visualize um grande buraco no chão. Respire fundo outra vez e, ao expirar, fique do lado de fora do buraco. Ele é grande o suficiente para você entrar, e quando o fizer, você se verá num túnel subterrâneo. O túnel é bem iluminado, quente e confortável. Desça o mais fundo que puder até enxergar uma luz no fim do túnel. Este é o inferno. Ao entrar nele chame Bastet. Ela lhe aparecerá sob a forma de uma gata e perguntará o que você deseja. Você lhe informa que veio para brincar. Ela soltará um miado excitado e pedirá para que você suba em suas costas. Você sobe e sai voando com ela. Quando olhar para baixo verá o oceano e uma praia. Bastet aterrissará suavemente na areia e a convidará para construir castelos. Você aceita e ela se transforma numa companheira de brincadeiras. Role com ela na areia, brinque de "pegar", ou invente outras brincadeiras. Depois de algum tempo, as duas sujas de areia é hora de se jogar no mar. Bastet joga água em você e faça o mesmo com ela. Em seguida ela a convidará para jogar o jogo da mudança de forma. É bem legal, uma caça a outra enquanto mudam de forma. Primeiro vocês se transformam em golfinhos e brincam alegremente em oceano aberto. Em seguida, transformam- se em gaivotas e ganham o céu muito azul. Continuem mudando de forma até cansarem, então volte a ser você mesma e saia do mar.

Eis que chega a hora de voltar. Que pena, não é mesmo? É extremamente prazeroso brincar com Bastet, mas ela agora volta a ser gata novamente e outra vez, você sobe em suas costas. Vocês voltam até o Inferno, perto do túnel. Agradeça a Bastet os agradáveis momentos e entre no túnel.

Agora você começará a subir, subir, sentindo-se leve e refrescada. Impulsione e suba mais acima, acima, sentindo-se relaxada e turbinada, pronta para o que der e vier, subindo, até estar de volta ao buraco com os pés no chão. Expirando devagar, você deve voltar ao seu corpo. Respire profundamente outra vez e abra os olhos. Feliz retorno!
A DANÇA COM SNUJES
RITUAL DE BAST
Apanhe o sistro e caminhe e dance lentamente em torno da área do ritual, balançando-o enquanto caminha. Inicie e termine no Leste e mova-se no sentido horário. Cante enquanto segue:

A alegria vem de Bast, Senhora dos Gatos
A Deusa ama e protege os animais.
Como filho(a) de Bast, eu clamo por ela.

Retorne ao altar e balance o sistro enquanto diz:

Salve, Bast, Senhora dos Gatos
Salve, Deusa dos prazeres terrenos.
Ensina-me a exultar pelo ser que sou.
Ensina-me a amar e ser feliz.

Se possuir fotos de seus gatos, olhe para elas com alegria e amor. Caso não possua fotos, metalize-os. Chame cada gato pelo nome como se estivesse apresentando à Deusa. Esteja alerta para atmosfera ao seu redor, pois é bem provável que sinta a presença da Deusa de alguma maneira.
Quando estiver terminado, apanhe o sistro e volte-se para o leste. Chacoalhe o sistro cinco vezes. Diga:

Os ouvidos de Bast são sensíveis a cada palavra maldosa dirigida a mim e meus animais.
Eu e meus gatos estamos protegidos.

Volte-se para o sul, balance o sistro cinco vezes e diga:

As garras de Bast são afiadas e me defendem.
Eu e meus gatos estamos protegidos.

Volte-se para oeste. Balance o sistro cinco vezes. Diga:

Os dentes de Bast estão à mostra para os praticantes do mal.
Eu e meus gatos estamos protegidos.

Finalmente, volte-se para o norte e balance o sistro cinco vezes. Diga:

Os olhos de Bast podem ver através da escuridão.
Nada lhe passa desapercebido.
Eu e meus gatos estamos protegidos.

Retorne ao altar. Balance o sistro tês vezes. Diga:

Ouçam bem, todos que desejam causar mal a mim e aos meus.
Aqui ergue-se uma poderosa fortaleza, um escudo inquebrável.
É impossível penetrar aqui. Seus pensamentos malignos retornam para vocês.
O portão está trancado para vocês.

Visualize uma luz verde iluminando toda a sala ou o local onde realizas esse ritual, acariciando você e as fotos de seus gatos. Não se surpreenda se seus gatos entrarem pessoalmente na sala para aproveitar essa benção.

Amada Deusa dos Gatos, agradeço suas bênçãos.
Mantenha-nos em segurança, saúde e felicidade.
Proteja meus pequenos não importa onde possam ir.

Lance um beijo à Deusa e apague as velas. Como um presente especial, tanto para Bast como para os seus gatos, presenteie seus animais com um brinquedinho.
Para pedir a Bast que cure gatos, cante o seguinte verso perante sua estátua ou figura, enquanto segura a foto ou visualiza o animal doente:

Erga a mão da doença.
Restaure a saúde!
Elimine todos os males.
Restaure a saúde!
Derrame suas forças curativas em (nome do gato)
Bast! Restaure a saúde!

Se seus gatos estiverem realmente correndo risco físico, chame pelo aspecto obscuro de Bast: a Deusa Pasht.



RITUAL DE PROTEÇÃO CONTRA PESADELOS

A Deusa Bastet protege todos seus seguidores contra os maus espíritos agitando seu sistro (sua marca sagrada). Já que ela é uma Deusa da Lua, é especialmente poderosa para lidar com os terrores noturnos. Use esse ritual se você ou alguém de sua família sofre de pesadelos.

Esse ritual se torna mais forte se for realizado na lua cheia, porém poderá fazê-lo no momento em que necessitar e depois repeti-lo na lua cheia.

Realize o ritual ao anoitecer, com todas as cortinas ou persianas abertas para facilitar a entrada da luz da lua.
Necessitará de um sino de qualquer tamanho ou espécie.
Visite cada cômodo de sua casa, sacudindo o sino enquanto se move no sentido horário. Assegure-se de visitar inclusive os cantinhos mais escuros. Se possui um filho que sofre de pesadelos, faça com que a acompanhe com seu próprio sino. Se desejar, faça um jogo, ganha quem tocar o sino mais alto.

Finalmente em pé no centro do cômodo, balance o sino em torno de você. Se estiver realizando o ritual com outra pessoa, agitem os sinos em torno um do outro.



RITUAL DE BASTET PARA A DELICADEZA

A delicadeza é uma grande virtude, especialmente quando há necessidade de se lidar com crianças e com animais aos quais não queremos intimidar. Bastet está associada com os gatos, que simbolizam a delicadeza. Uma das maneiras mais simples de agradar a Bastet é demonstrar carinho e compaixão com suas pequenas criaturas.

Comece por passar algum tempo rodeada de gatos. Se possui um de sua propriedade, fica tudo mais fácil. Caso não tenha, visite algum amigo que possua, ou simplesmente acaricie qualquer gato que encontre pela rua.
Depois desenhe e pinte um gato em uma papel circular. Não importa se o desenho não fique maravilhoso, pois o que importa é o seu esforço e os seus sentimentos em relação a essas pequenas criaturinhas. Quanto terminar, fixe o desenho com fita durex na janela de seu quarto para que possa receber os raios lunares. A luz da lua fará com que a delicadeza de Bastet entre pela janela.

Que as bênçãos da Deusa Bastet proteja a nós e nossos gatos!

Texto pesquisado e desenvolvido por

ROSANE VOLPATTO


Bibliografia consultada:

O Oráculo da Deusa - Amy Sophia Marashinsky
Livro Mágico da Lua - D. J. CONWAY
El Libro de las Diosas - Roni Jay
Todas as Deusas do Mundo - Claudiney Prietro

LIFE -Biblioteca de História Universal
O Simbolismo Animal - Jean-Paul Ronecker
O Anuário da Grande Mãe - Mirella Faur
O Mundo Mágico da Antigo Egito - Christian Jacq

Mitologia - Harcourt

Os deuses gregos - Carl Kerenyl
As Divindades Egípcias - José das Candeias Sales

segunda-feira, 21 de março de 2011

Atendimento onlline de baralho cigano Le Normand e Tarôt

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Atendimento onlline de baralho cigano Le Normand e Tarôt



Faço Mandala com as doze casas do Zodiaco
Cruz Celta

O Lance em cruz
O Lance em Estrela ou Tarôt do Amor
Baralho cigano ou  LeNormand

Tarôt dos Anjos
Tarôt das bruxas

a resposta será enviada dentro do prazo de 24 horas após a confirmação do pagamento.
Favor enviar o comprovante

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Afrodite - a face negra do amor.

Afrodite - a face negra do amor.

Freqüentemente, entre muitos outros, um erro tem sido cometido entre os
neopagãos, talvez movidos pelo intenso pedantismo reinante ou pela misologia
característica dos "novos-bruxos", muitas divindades tem sido banalizadas e
tidas como seres eternamente à disposição das vontades humanas. Infeliz engodo.
Nessa ânsia de transformar de não reconhecer em certas divindades seus aspectos
negativos, acabamos caindo no velho conto do cego que não deseja a visão.
Afinal, é mais fácil fantasiar e decorar o mundo como um eterno mar de rosas e
viver boiando sobre ele. Uma deusa que, invariavelmente tem sido alvo de tais
praticas é Afrodite, umas das mais antigas divindades da arcaica religiosidade
helênica. Como divindade assaz primitiva, mesmo após sua entrada no Olimpo,
Afrodite permaneceu distante dos demais deuses, como Hécate ela era cultuada em
diversas partes do mundo antigo, chegando até mesmo à costa norte da África onde
há indícios de seu culto e lendas seus amores na região. Como
Hécate, por demais inserida no cotidiano dos povos helênicos, Afrodite não
apenas uma olimpiana, mas uma presença constante na vida de todos os gregos
arcaicos, como é ainda hoje para os reconstrucionistas da religiosidade grega.
Como deusa do amor, Afrodite não possuía em si apenas os aspectos
judaico-cristãos de afetividade tola que temos inserido em nossa sociedade. Era
a deusa do amor, do sexo e dos prazeres da carne, entretanto, possuia faces de
um amor celestial, divino, por demais elevado aos nossos conceitos, o amor
platônico como conhecemos hoje é regido também por essa deusa, sob o nome de
Afrodite Urânia.
Em seu aspecto de sedutora Afrodite incorporava o nome de Afrodite Pandemo,
"comum", e essa sua face, tão pouco desconhecida para os povos contemporâneos,
era a mais respeitada entre os gregos. Em alguns mitos ela aparece como Grande
Mãe, principalmente na Ásia Menor, onde era tida também como Afrodito, recebendo
barbas e transformando-se em uma divindade andrógina. Algumas lendas referem-se
à ela como amante de Zeus, o Pai.
Atualmente há uma pratica comum entre nossos escritores, principalmente os
religiosos e não históricos, em dar destaque somente à face boa e 'cristã' de
Afrodite, talvez por que certos conceitos ainda estejam por demais inseridos em
nossa mentalidade para serem claramente expostos. Nosso objetivo aqui não
agradar aos olhos dos leitores, é tornar claro que Afrodite não era para os
gregos uma divindade piedosa e caridosa, como muitos gostariam que o fosse, ao
contrário, em sua face negra Afrodite se mostra como a mãe destrutiva, a deusa
que dá a vida e a recolhe, sem utilizar critérios de pecado ou piedade, bondade
tola para sermos mais exatos. Ligada às deusas orientais Ishtar e Astarde,
Afrodite regia suas sacerdotisas nas antigas praticas da prostituição sagrada,
como assim o fazia Ishtar. As sacerdotisas de Ishtar eram escolhidas em tenra
idade, iam para os templos demasiado jovens, após receberem o primeiro
sangramento. Lá se deitavam com viajantes e todos aqueles que ali parassem
e pagassem à deusa pelos prazeres da carne. Afrodite, como nos atestam variados
indícios, também era simpática a tal prática. Talvez nossas pseudo-sacerdotisas
dos movimentos neopagãos se interessem por esse lado ao se dizerem filhas dessa
divindade. Astarde, à semelhança de Afrodite possuía também seu consorte divino,
Tamuz. Tamuz e Adônis, amantes das duas deusas, padeceram do mesmo mal, o
excesso de amor que as duas divindades lhes dedicavam. Eis a face negra do amor
divino. Essa história se assemelha muito ao mito da Roda do Ano dos wiccanos de
hoje, mas faremos tal analogia em uma próxima oportunidade.
Afrodite, como deusa negra, recebeu entre os gregos o nome de Afrodite Zeríntia,
sob o qual regia os espíritos e os mortos. Na Trácia recebia sob essa forma
sacrifícios de cães em seus oráculos. Aconselhamos assim certos indivíduos a
sacrificarem seus cãezinhos à deusa do amor, ora ela é apenas regente do amor, e
o amor não mata. Na península Ática seu nome Zerintia muda para Genítilis,
onde também recebia sacrifícios de diversos animais, entre eles os cães, que
também eram sacrificados à Hécate. Tais sacrifícios eram realizados
principalmente em oráculos, os cães como seres andantes eram tidos pelos gregos
como eternos conhecedores das estradas, eram sacrificados para auxiliar em
decisões de novos rumos e caminhos a serem tomados. Vale lembrar que Hécate
regia os caminhos, e freqüentemente era representada tendo um cão ao seu lado,
algumas vezes Cérbero, o cão de três cabeças que guardava, como se sabe, o
caminho para o Tártaro, o reino dos mortos. A deusa apareceu também sob os
nomes de Melena e Melênis, "a negra" e "a escura", respectivamente. Sob o nome
de Zerintia, Afrodite surge novamente como deusa negra, sob essa forma os gregos
à consideravam "a mais velha das Moiras". As Erínias, deusas da vingança e que
levam a morte lenta aos infratores das leis divinas eram filhas de Urano, como
Afrodite. Nessa versão de Hesíodo, enquanto Afrodite nascera do sêmen de Urano
fertilizando o mar, as Erínias e outras deusas negras surgiram do sangue de
Urano, quando este tocou o mar. Essas irmãs as Erínias, possuíam como Afrodite
duas faces, eram também as Eumênides, "as benevolentes". Já falamos da ligação
de Afrodite com Hécate pelo cão, o que falta ainda sobre esse tópico é que a
chegada das Erínias, era sempre ouvida por um forte ladrado de cães, assim
Ésquilo nos afirmou. O nome Erínia em seu significado original é "espírito de
cólera e vingança" e em alguns autores são citadas como Erini, forma única
dessas divindades. Karl Kerényi nos afirma que Afrodite não
era apenas uma das Erínias, e sim Erini, a mais poderosa delas. Em um trecho da
tragédia 'Hipólito', do autor grego Eurípides, encontramos a seguinte narração:
"AFRODITE Tão grande e famoso é o meu nome entre os mortais como no céu: sou a
deusa Cípris. Mas hoje ainda, devido às faltas contra mim cometidas,
punirei Hipólito. De acordo com os meus desejos, Fedra, nobre esposa de seu
pai, ao vê-lo, no coração foi ferida por violento amor."
As Erínias eram os espíritos da vingança, e nessa obra antiga Afrodite surge
exatamente como vingadora. Hipólito, por despreza-la e adorar Ártemis, sofrerá
as conseqüências de não reconhecer em Afrodite as qualidades por ela possuídas.
Eis sem mascara a deusa do amor dos jovens apaixonados, quanta ternura!
Afrodite era conhecida por outros nomes, em sua maioria ligando-a à morte, e a
destruição. Devido à imensa maioria dos nomes e das faces negras de Afrodite,
vemos que era cultuada mais como uma deusa negra do que como deusa do tolo amor
cristianizado. Foi chamada de Afrodite Andrófono, "a matadora de homens (o mito
mais conhecida de uma vingança das Erínias fala sobre sua perseguição à Orestes)
Afrodite igualmente pune Hipólito. Afrodite Anósia, como "a pecadora", nome sob
o qual eram erigidos os raros templos de prostituição sagrada existente na
Grécia. Como Senhora da Morte era Timborico, "a cavadora de túmulos". Aspecto
sob o qual se fazem presentes suas qualidades pouco atraentes. Algumas histórias
contam sobre uma certa Afrodite Persefessa, o sobrenome deveras semelhante à
Perséfone, esposa de Hades e rainha do Tártaro, sela assim sua presença como
face negra do divino feminino grego. Como cavadora de túmulos Afrodite não é a
deusa celestial que tanto aspiramos adorar. É, ao
contrário a senhora negra, o útero que devassa a vida dos homens, ao mesmo
tempo que lhes levava prazeres, Afrodite destruía e matava. Fez Hipólito infeliz
por ousar desacredita-la e certamente não coroará de rosas certos atos e
praticas que tanto a banalizam, especialmente nos tempos atuais. Afrodite
mostra-nos claramente as diversas faces de uma divindade, como deusa mãe, é não
apenas o doce útero que dá à luz, mas as garras que a tiram.
Asgard.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Iemanja Rainha do Mar


                                                                     
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OS ENCANTOS E A DOÇURA DE
IEMANJÁ
 
 
https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgSZHKg9ZRqQbQZwwY7erLizKmGkByEx15wuXbVr9pgkLfRLcUY8WEhyFAgXNpdfodat8tYDl_-oidQzQLIsK6CQJpvLuI6obW4VPfDHQjPEQffSdD3nhGEC6TjYIA61lc7s1hdQ42p6DtD/s1600/350_quadro-iemanja.jpg

 
 
O Brasil é orgulhoso do grande império de suas águas. Principalmente o mar, de todas as cores, matizes e luzes é o Grande Senhor da nossa costa, que penetrando por todos os lados desse imenso país, abraça nossa terra, em enseadas, golfos e baías.

Mas apesar de sua beleza, no mar há uma força maior, uma força que impera, que reina a Senhora absoluta de todas as águas, de tudo que vive na água e possa viver. Há sim, uma força que ordena e não pede, que manda e que decide sobre o vida dos pescadores, de todos que se aventurarem a entrar em seu território e de todos aqueles que têm vistas para alcançar o verde de seu mar.
Em cada canto desses mares, nas ondas dos surfistas, nas praias, nas cabanas dos pescadores, nos altos desses montes, Ela será sempre a Grande Senhora. Ninguém pode se atrever a dizer que não é vassalo servil do grande reino de Iemanjá. Porque de fato, Iemanjá é a Rainha das águas. A tranqüilidade na superfície do mar, ou a tempestade rugindo, as ondas quebrando-se sobre as embarcações ou sobre as praias, tudo é conduzido pela sua mão suprema.
Nada se altera, nada se faz ou se transforma, sem que seja sua vontade. Iemanjá de tantos poderes, de tantos nomes e tantos filhos, sempre foi exaltada por negros e brancos e seu culto se verifica de norte a sul no Brasil.

MITOLOGIA
LENDA  (Arthur Ramos)
Com o casamento de Obatalá, o Céu, com Odudua, a Terra, que se iniciam as peripécias dos deuses africanos. Dessa união nasceram Aganju, a Terra, e Iemanjá (yeye ma ajá = mãe cujos filhos são peixes), a Água. Como em outras antigas mitologias, a terra e a água se unem. Iemanjá desposa o seu irmão Aganju e tem um filho, Orungã.
Orungã, o Édipo africano, representante de um motivo universal, apaixona-se por sua mãe, que procura fugir de seus ímpetos arrebatados. Mas Orungã não pode renunciar àquela paixão insopitável. Aproveita-se, certo dia, da ausência de Aganju, o pai, e decide-se a violentar Iemanjá. Essa foge e põe-se a  correr, perseguida por Orungã. Ia esse quase alcançá-la quando Iemanjá cai no chão, de costas e morre. Imediatamente seu corpo começa a dilatar-se. Dos enormes seios brotaram duas correntes de água que se reúnem mais adiante até formar um grande lago. E do ventre desmesurado, que se rompe, nascem os seguintes deuses: Dadá, deus dos vegetais; Xango, deus do trovão; Ogum, deus do ferro e da guerra; Olokum, deus do mar; Oloxá, deusa dos lagos; Oiá, deusa do rio Niger; Oxum, deusa do rio Oxum; Obá, deusa do rio Obá; Orixá Okô, deusa da agricultura; Oxóssi, deus dos caçadores; Oké, deus dos montes; Ajê Xaluga, deus da riqueza; Xapanã (Shankpannã), deus da varíola; Orum, o Sol; Oxu, a Lua.
Os orixás que sobreviveram no Brasil foram: Obatalá (Oxalá), Iemanjá (por extensão, outras deusas-mães) e Xango (por extensão, os outros orixás fálicos).
Com Iemanjá, vieram mais dois orixás yorubanos, Oxum e Anamburucu (Nanamburucu) . Em nosso país houve uma forte confluência mítica: com as Deusas-Mães, sereias do paganismo supérstite europeu, as Nossas Senhoras católicas, as iaras ameríndias.
A Lenda tem um simbolismo muito significativo, contando-nos que da reunião de Obatalá e Odudua (fundaram o Aiê, o "mundo em forma"), surgiu uma poderosa energia, ligada desde o princípio ao elemento líquido. Esse Poder ficou conhecido pelo nome de Iemanjá.
Durante os milhões de anos que se seguiram, antigas e novas divindades foram unindo-se à famosa Orixá das águas, como foi o caso de Omolu, que era filho de Nanã, mas foi criado por Iemanjá.
Antes disso, Iemanjá dedicava-se à criação de peixes e ornamentos aquáticos, vivendo em um rio que levava seu nome e banhava as terras da nação de Egbá.
Quando convocada pelos soberanos, Iemanjá foi até o rio Ogun e de lá partiu para o centro de Aiê para receber seu emblema de autoridade: o abebé (leque prateado em forma de peixe com o cabo a partir da cauda), uma insígnia real que lhe conferiu amplo poder de atuar sobre todos os rios, mares, e oceanos e também dos leitos onde as massas de águas se assentam e se acomodam.
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Obatalá e Odudua, seus pais, estavam presentes no cerimonial e orgulhosos pela força e vigor da filha, ofereceram para a nova Majestade das Águas, uma jóia de significativo valor: a Lua, um corpo celeste de existência solitária que buscava companhia. Agradecida aos pais, Iemanjá nunca mais retirou de seu dedo mínimo o mágico e resplandecente adorno de quatro faces. A Lua, por sua vez, adorou a companhia real, mas continuou seu caminho, ora crescente, ora minguante... , mas sempre cheia de amor para ofertar.
A bondosa mãe Iemanjá, adorava dar presentes e ofereceu para Oiá o rio Níger com sua embocadura de nove vertentes; para Oxum, dona das minas de ouro, deu o rio Oxum; para Ogum o direito de fazer encantamentos em todas as praias, rios e lagos, apelidando-o de Ogum-Beira-mar, Ogum-Sete-ondas entre outros.
Muitos foram os lagos e rios presenteados pela mãe Iemanjá a seus filhos, mas quanto mais ofertava, mais recebia de volta. Aqui se subtrai o ensinamento de que "é dando que se recebe".
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IEMANJÁ ABRASILEIRADA
Iemanjá, a Rainha do Mar e  Mãe de quase todos os Orixás, é uma Deusa abrasileirada, sendo resultado da miscigenação de elementos europeus, ameríndios e africanos.
É um mito de poder aglutinador, reforçado pelos cultos de que é objeto no candomblé, principalmente na Bahia. É também considerada a Rainha das Bruxas e de tudo que vem do mar, assim como é protetora dos pescadores e marinheiros. Governa os poderes de regeneração e pode ser comparada à Deusa Ísis.
Os grandes seios ostentados por Iemanjá, deve-se à sua origem pela linha africana, aliás, ela já chegou ao Brasil como resultado da fusão de Kianda angolense (Deusa do Mar) e Iemanjá (Deusa dos Rios). Os cabelos longos e lisos prendem-se à sua linhagem ameríndia e é em homenagem à Iara dos tupis.
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De acordo com cada região que a cultua recebe diversos nomes: Sereia do Mar, Princesa do Mar, Rainha do Mar, Inaê, Mucunã, Janaína. Sua identificação na liturgia católica é: Nossa Senhora de Candeias, Nossa Senhora dos Navegantes,  Nossa Senhora da Conceição, Nossa Senhora da Piedade e Virgem Maria.
Do mesmo modo que varia seu nome, variam também suas formas de culto. A sua festa na Bahia, por exemplo é realizada no dia 2 de fevereiro, dia de Nossa Senhora das Candeias. Mas já no Rio de Janeiro é dia 31 de dezembro que se realiza suas festividades. As oferendas também diferem, mais a maioria delas consiste em pequenos presentes tais como: pentes, velas, sabonetes, espelhos, flores, etc. Na celebração do Solstício de Verão, seus filhos devotos vão às praias vestidos de branco e entregam ao mar barcos carregados de flores e presentes. Às vezes ela aceita as oferendas, mas algumas vezes manda-as de volta. Ela leva consigo para o fundo do mar todos os nossos problemas, aflições e nos trás sobre as ondas a esperança de um futuro melhor.

COMO É IEMANJÁ?
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Iemanjá apresenta-se logo com um tipo inconfundível de beleza. No seu reinado, o fascínio de sua beleza é tão grande como o seu poder. Ora é de um encanto infinito, de longos cabelos negros, de faces delicadas, olhos, nariz e boca jamais vistos, toda ela graça e beleza de mulher.
Outras vezes, Iemanjá continua bela, mas pode apresentar-se como a Iara, metade mulher, metade peixe, as sereias dos candomblés do caboclo. Como um orixá marítimo, ela é a mais prestigiosa entidade feminina dos candomblés da Bahia, recebe rituais de oferendas e grandes festas lhe são dedicadas, indo embarcações até o alto-mar para lhe atirar mimos e presentes. Protetoras das viagens e dos marinheiros, obteve o processo sincrético, passando a ser a Afrodite brasileira, padroeira dos amores, dispondo sobre uniões, casamentos e soluções amorosas. Quem vive no mar ou depende de amores é devoto de Iemanjá. Convergem para ela orações e súplicas no estilo e ritmos católicos.
Mas o que importa seus nomes, suas formas e aparência, se nada modifica a força de seu império, senão altera a grandeza do seu reinado?
Queixas são contadas a Iemanjá, esperanças dela provêm, planos e projetos de amor, de negócios, de vingança, podem ser executados caso ela venha a dar seu assentimento.
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Grande foi o número de ondas que se quebrou na praia, mas maior ainda, foi o caminho percorrido pelo mito da divindade das águas. Das Sereias do Mediterrâneo, que tentaram seduzir Ulisses, às Mouras portuguesas, à Mãe D'água dos iorubanos, ao nosso primitivo Igpupiara, às Iaras, ao Boto, até Iemanjá. E, neste longo caminhar, a própria personalidade desta Deusa, ligada anteriormente à morte, apresenta-se agora como protetora dos pescadores e garantidora de boa pesca, sempre evoluindo para transformar- se na deusa propiciadora de bom Ano Novo para os brasileiros e para todos que nesta terra de Sol e Mar habitam.

DEUSA LUNAR DA MUDANÇA
A Deusa Iemanjá rege a mudança rítmica de toda a vida por estar ligada diretamente ao elemento água. É Iemanjá que preside todos os rituais do nascimento e à volta as origens, que é a morte. Está ainda ligada ao movimento que caracteriza as mudanças, à expansão e o desenvolvimento.
É ela, como a Deusa Ártemis o arquétipo responsável pela identificação que as mulheres experimentam de si mesmas e que as definem individualmente.
Iemanjá quando dança, corta o ar com uma espada na mão. Esse corte é um ato psíquico que conduz a individualizaçã o, pois Iemanjá separa o que deve ser separado, deixando somente o que é necessário para que se apresente a individualidade.
Sua espada, portanto, é um símbolo de poder cortante que permite a discriminação ordenativa, mas que também pode levar ao seu abraço de sereia, à regressão e à morte.

Em sua dança, Iemanjá coloca a mão na cabeça, um ato indicativo de sua individualidade e por isso, é chamada de"Yá Ori", ou "Mãe de Cabeça". Depois ela toca a nuca com a mão esquerda e a testa com a mão direita. A nuca é símbolo do passado dos homens, ao inconsciente de onde todos nós viemos. Já a testa, está ligada ao futuro, ao consciente e a individualidade.
A dança de Iemanjá pode ser percebida como uma representação mítica da origem da humanidade, do seu passado, do seu futuro e sua individualizaçã o consciente. É essa união antagônica que nos dá o direito de vivermos o "aqui" e o "agora", pois sem "passado", não temos o "presente" e sem a continuidade do presente, não teremos "futuro". Sugere ainda, que a totalidade está na união dos opostos do consciente com o inconsciente e dos aspectos masculinos com os femininos.
Como Deusa Lunar, Iemanjá tem como principal característica a "mudança". Ela nos ensina, que para toda a mulher, o caráter cíclico da vida é a coisa mais natural, embora seja incompreendido pelo sexo masculino.
http://www.casajungearte.com.br/salao%20de%20eventos%20e%20cursos/2.IEMANJA.BMP
A natureza da mulher é impessoal e inerente a ela como um ser feminino e altera-se com os ciclos da lua: fase crescente, cheia, meia-fase até a lua obscura. Essas mudanças não só se refletem nas marés, mas também no ciclo mensal das mulheres, produzindo um ritmo complexo e difícil de entender. A vida física e psíquica de toda a mulher é afetada pela revolução da lua e a compreensão desse fenômeno nos propicia o conhecimento de nossa real natureza instintiva. Em poder desse conhecimento, podemos domesticar com o esforço consciente as inclinações cíclicas que operam-se a nível inconsciente e nos tornarmos não tão dependentes desses aspectos escondidos de nossa natureza semelhante aos da lua.
https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhcaEoSrDFOlAxaN1aal4WUg9vUxa85TezpBNQjCQMRI2m1mfWEaHrX59uN7W8MzjcQmZTsY1M1NPgLPJZd7ZBsi8jG2SqfPK06JhoXpj6v-rwMqdDxr3jUFzjVw9tYV1R3wyzCqVlonLQ/s320/iemanja2.jpg
ARQUÉTIPO DA MATERNIDADE
Iemanjá é por excelência, arquétipo da maternidade. Casada com Oxalá, gerou quase todos os outros orixás. É tão generosa quanto as águas que representa e cobrem uma boa parte do planeta.
 Iemanjá é o útero de toda a vida, elevada à posição principal da figura materna no panteão de iorubá (Ymoja). Seu sincretismo com a Nossa Senhora e a Virgem Maria lhe conferem a supremacia hierárquica na função materna que representa. É a Deusa da compaixão, do perdão e do amor incondicional. Ela é "toda ouvidos" para escutar seus filhos e os acalenta no doce balanço de suas ondas. Ela representa as profundezas do inconsciente, o movimento rítmico, tudo que é cíclico e repetitivo. A força e a determinação são suas características básicas, assim como o seu gratuito sentimento de amizade.

Como Deusa da fecundidade, da procriação, da fertilidade e do amor, Iemanjá é normalmente representada como uma mulher gorda, baixa, com proeminentes seios e grande ventre. Pode, também como já falamos, aparecer na forma de uma sereia. Mas, não importando suas características, ela sempre se apresentará vinculada ao simbolismo da maternidade.
 
Iemanjá surge nas espumas das ondas do mar para nos dizer que é tempo de "entrega". Você está carregando em seus ombros um fardo mais pesado do que possa carregar? Acha que deve realizar tudo sozinha(o) e não precisa de ninguém? Você é daquelas pessoas que "esmurra ponta de prego" e quer conseguir seu intento nem que tenha que usar à força? Pois saiba que a entrega não significa derrota. Pedir ajuda também não é humilhação, a vida tem mais significado quando compartilhamos nossos momentos com mais alguém. Geralmente esta entrega ocorre em nossas vidas forçosamente. Se dá naqueles momentos em que nos encontramos no "fundo do poço", sem mais alternativas de saída, então nos viramos e entregamos "à Deus" a solução. E, é exatamente nesta hora que encontramos respostas, que de maneira geral, eram mais simples do que imaginávamos. A totalidade é alimentada quando você compreende que o único modo de passar por algumas situações é entrega-se e abrir-se para algo maior.
Quando abrimos uma brecha em nosso coração e deixamos que a Deusa atue em nós, alcançamos o que almejamos. Entrega é confiança, mas tente pelo menos uma vez entregar-se, pois lhe asseguro que a confiança virá e será tão cega e profunda quando a sua desconfiança de agora. O seu desconhecimento destes valores,  escondem a presença de quem pode lhe ajudar e provocam sentimentos de ausência e distância. Não somos deuses, mas não devemos nos permitir viver à sombra deles.
https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj3X31DqtswqAcfuJLKbNyqLc5q8uxSsBPEYn_U3Q4GqAqbJzWfl1bI4MkAL522Dm04IrTeHcBh9Fgcv6gnnvq-ApEJfhvOVWvimq3h4LxTIy_4AFjROh0SJLMwms4c5rnRbDgmghqyX3VW/s1600/Iemanj%25C3%25A1.jpg
RITUAL DE ENTREGA (só mulheres)
Você deve fazer este ritual numa praia, em água corrente e até visualizando um destes ambientes. Primeiro mentalmente viaje até seu útero, no momento do encontro se concentre. Respire profundamente e leve novamente sua consciência para o útero. Agora respire pela vulva. Quando se achar pronta, com o mar a sua frente, entre nele. Sinta a água acariciando seus pés, ouça o barulho das ondas no seu eterno vai-e-vem. Chame então a Iemanjá para que venha encontrá-la. Escolha um lugar onde você puder boiar tranqüilamente e com segurança. Sinta as mãos da Iemanjá acercando-se de você. Abandone-se em seu abraço, ela é mãe muito amorosa e espetacular ouvinte. Renda-se aos seus carinhos e entregue-se sem medo de ser feliz. Você está precisando revigorar sua vida amorosa, procura um emprego ou um novo amor? Faça seus pedidos e também lhe fale de todas suas angústias e aflições. Deixe que Iemanjá alivie os fardos que carrega. Ela carregará consigo para o fundo do mar todos os seus problemas e lhe trará sobre as ondas a certeza de dias melhores, portanto abandone-se à imensidão do mar e do seu amor.

Quando estiver pronta para voltar, agradeça a Iemanjá por estes doces momentos passados com ela. Então estará livre para voltar à praia, sentindo-se mais leve, viva e purificada.
http://www.fecu.com.br/images/iemanja.jpg?425

OUTROS DADOS:
SAUDAÇÃO: Odô-fe-iaba! Odô-fe-iaba! Odô-fe-iaba!
MINERAL: Prata e platina.
DIMENSÃO ESOTÉRICA: Ocupa o primeiro raio juntamente com a orixá Nanã.
DIA DA SEMANA; Segunda-feira.
ERVAS PARA BANHO E DEFUMAÇÃO: Jasmim, araticum-da- praia, folha-da-costa, graviola, capeba, mãe-boa, musgo marinho encontrado nas pedras marinhas, alcaparra, entre outras.
PLANETA: Lua
COR DA GUIA: Contas brancas cristalinas ou azul claras.
BEBIDAS: Água de coco, mel, água salgada ou potável, champanha e suco de suas próprias ervas e frutos.
FLORES: Rosas e palmas brancas.
COMIDAS: Canjica branca, peixe fritos, arroz, arroz-doce com mel, acaçá, pudim, etc.
FRUTOS: Mamão, graviola, uvas brancas, melancia.
 
Texto pesquisado e desenvolvido por
Rosane Volpatto

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

"Sou assim!"Eparrei! Oya!!!



Saudações Seres!
No blog Casa Poderosa dos Filhos de Iemanjá econtrei um post sobre os filhos dos "Orixás"(Umbanda, Candomblé)e encontrei sobre meu orixá: IANSÃ.

Sou realmente a "filha peralta do vento"!
Não sigo a Umbanda ou religião alguma; que eu frequente, mas sou uma admiradora, simpatizante desta religião que também faz parte da nossa cultura aqui no Brasil.

Achei muito interessante a definição para os "Filhos de Iansã" e posto hoje, o que considero, um pouco da minha personalidade:

"A Mulher de Yansã

Surpreendente pelos defeitos e qualidades que possui, ardente e leal, é uma mulher que nunca foi dominada, adora a liberdade e não admite perde-la, de temperamento forte precisa de suavidade em sua vida , só que as vezes confunde suavidade com fraqueza e sonhos com romantismo.

É exigente e afetiva e transmite a seus filhos muita sabedoria. Quando estão infelizes tendem a dormir demais.

Extremamente ciumenta e perspicaz, faz com que seja impossível dela se esconder qualquer coisa, descobre mentiras ou segredos como se adivinhasse, embora seja investigadora e curiosa descobre as coisas por intuição, um lampejo, uma idéia que lhe vem a mente e a ela basta ir lá e conferir.

Pode ser excelente médium , extremamente mística será atraída por religiões afins. A viuvez, as separações e as heranças estão presentes em sua vida como forma de liga-la a seu Orixá pois a morte e a regeneração são uma constante no destino de Yansã.


O Físico e o Temperamento
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Os filhos de Iansã são como ela: livres e independentes, não dão nenhuma importância a opinião alheia . Amam a natureza, adoram viajar são extrovertidos e gostam de diversões.

Audaciosos, poderosos e autoritários como ela, os filhos deste Orixá não aceitam afrontas e encaram qualquer desafio prontamente.

Sua atitude é geralmente brusca e eles tendem a intimidar seus rivais com uma violência verbal que não mede palavras. Nada fica por dizer ou fazer quando um filho de Iansã reage. Se não provocado, contudo , é uma pessoa capaz de ter um temperamento cordato e tranqüilo. A cólera de Iansã é igual a de seus filhos: violenta e assustadora,ela não suporta ser contrariada.

São ciumentos, não admitem traição, mas são facilmente envolvidos em confusões sentimentais pois deixam-se seduzir por promessas e elogios.

Adoram ser adulados, mas não se deixam levar por elogios falsos, pois sabem exatamente quais são seus defeitos e suas qualidades.

Os filhos deste Orixá tem domínio invejável sobre sua personalidade.
As restrições e limitações são vencidas com força de vontade férrea.

Não há nada que eles se decidam a fazer que não consigam, não há obstáculo capaz de detê-los, nem inimigo capaz de derruba-los.
Os impedimentos serão superados, um a um, com determinação e capacidade.

São vingativos com os desleais,com os fracos, os mentirosos e com os trapaceiros.

São difíceis de perdoar e de serem complacentes, são rígidos em suas atitudes e inflexíveis em suas opiniões.

Os olhos dos filhos de Iansã conseguem ver a alma das pessoas, pelo olhar eles dominam e conhecem todos.

Seus corpos geralmente são fortes, emanando vitalidade e sensualidade. Não falam muito, não tem gestos bruscos, parecem totalmente equilibrados. Mas esta calma é superficial e a qualquer momento pode vir uma tempestade pois por dentro eles estão em permanente ebulição.

A franqueza dos filhos de Iansã é sempre verdadeira, nunca dirão alguma coisa só para agradar.

Seus elogios são verdadeiros
, suas críticas são contundentes e suas opiniões diretas.

Normalmente são adorados ou odiados.

Corajosos não tem medo praticamente de nada, nem mesmo da morte, nas emergências consegue pensar com frieza e agir com rapidez, são dotados de profundo poder de observação, não há como manter nada escondido deles.

Bem sucedidos nos estudos, porque tem auto-controle e aptidão para aprender com rapidez.

São afetuosos e apaixonados , embora pouco o demonstrem. Os sonhos e pesadelos são quase uma constante para esses filhos. Na maturidade tendem a desenvolver depressão e vão tentar resolver sozinhos esse problema.

Saúde
A saúde do filho de Yansa é boa, tem corpo forte e bem constituído , adoece por causa de trabalho pesado, depressão, melancolia ou por cometer excessos.

Seus pontos fracos são o útero e os ovários nas mulheres, a bexiga e a uretra nos homens.
Sujeito a problemas no fígado que alteram sua disposição e os obrigam a se afastarem de determinados alimentos que gosta muito, mas seu poder de recuperação é surpreendente, é capaz de reverter um quadro de doença apenas usando sua força de vontade, a força de Yansã dá aos seus filhos o poder de curar o corpo através da mente.

Por causa de atividades físicas está sujeito a problemas nas pernas, tornozelos, costas, coluna e varizes. São vulneráveis a acidentes com fogo e explosivos e é na idade madura que ele corre o risco de descrer de si mesmo e de seus objetivos passados. É quando a depressão pode vitima-lo, a religião ou o redirecionamento do trabalho nesta fase poderá ajuda-lo servindo como antídoto para esses males.


IANSÃ, a bela guerreira e senhora dos relâmpagos
.

Altiva e impetuosa, Iansã é o símbolo das mulheres temperamentais.

Isso se deve a uma estranha característica: durante parte do dia, a orixá se transforma num búfalo selvagem, portanto, também tem uma natureza animal.

• CARACTERÍSTICAS: as filhas de Iansã são parecidas com ela. Voluntariosas, gostam de tudo a sua maneira. Só se deixam vencer por quem sabe contornar seus ímpetos de fúria, como fez Ogum. Ao mesmo tempo, são mulheres corajosas, sem nenhum medo de lutar contra a injustiça e o preconceito. Como a própria divindade, metade animal, metade gente, os filhos de Iansã se consideram pessoas incomuns.

• CONSELHO: nem tudo precisa ser de seu jeito. Experimente enfrentar com paciência as situações que fogem ao controle. Avalie quantas oportunidades você já perdeu na vida porque não soube ter um pouquinho de diplomacia. Pratique ioga e meditação para abaixar esse excesso de fogo. Iansã ensina que é preciso saber lutar, mas também ceder. "